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Lula: da Vila Soma à Unicamp – o Papel do Estado é Inegociável

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Quantos governantes podem ir, no mesmo dia, à periferia de uma pequena cidade, falarem com 10 mil pessoas que vivem em moradias populares e, em seguida, dar uma aula magna a estudantes de uma das maiores universidades do País, mantendo a desenvoltura e facilidade de se comunicar, arrebatar o público e emocionar cotidianos tão diferentes?

Lula aposta em sua trajetória, biografia de desfechos improváveis, para mostrar o que foram seus governos e os programas que mudaram vidas de uma maneira que, em toda a nossa história, jamais havia sido possível. Esse período ter sido tão único e excepcional explica porque, como ressaltou Lula, fôssemos os últimos a abolir escravidão, a garantir o voto das mulheres, a fundar uma universidade… Entre todos os mecanismos de ascensão social criados entre 2003 e 2016, colocar os excluídos na universidade foi um passo gigantesco, tão grande quanto um retirante, torneiro mecânico, fundar o maior partido de esquerda da América Latina e chegar à presidência da República. Saltamos de 3,5 para 8 milhões de alunos no ensino superior, e esses números incluíram cores e etnias nunca antes vistas nesses ambientes.

Lula deixou claro que o combate à desigualdade foi um dever do Estado. Que esses mecanismos que criaram, facilitaram, incentivaram e garantiram o acesso à universidade eram e voltarão a ser prioridades do Estado brasileiro.

Além dessa garantia, Lula voltou a falar em geopolítica. Ao relembrar como rejeitou a ALCA, como fortaleceu o Mercosul, falou da criação da UNASUL, CELAC e dos BRICS. Falou do maior relacionamento com a África, com transferência de tecnologia...

Também atacou o teto de gastos e as privatizações com muita veemência. Usou como exemplo o Luz para Todos, e defendeu a importância de impedir a privatização da Eletrobras. Mais uma vez, o papel do Estado foi acentuado. Falou das cisternas, da transposição do São Francisco. Falou da mudança na vida das pessoas. Estado e amparo social. Estado e desenvolvimento. Estado e inclusão social. Estado e crescimento econômico.

Lula, ao ressaltar qual a diferença petista, atacou o cerne daquilo que foi mais valioso no discurso das elites e das mídias: o tamanho e o papel do Estado. Essa foi a toada de toda a sua aula. Se querem domesticar o próximo governante, estão longe disso. Prometeu prioridade ao BRICS, não ao império. Prometeu investimento estatal para renda e emprego, e não austeridade fiscal. Reafirmou o compromisso de aumentar o tamanho e a presença do Estado na economia e na sociedade. Ironizou as privatizações, o mercado e todos os valores sacramentados pelo discurso do establishment. Comprometeu-se com os fóruns e conferências nacionais. Com investimento em cultura e educação.

Se queriam pautar o homem, fracassaram. Se ainda querem enquadrá-lo, terão úlcera nesta semana.