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Juntos Pelo Brasil Na Fronteira – Não Há Brasil sem Rio Grande

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Sou sempre aquilo que sou, fui sempre aquilo que fui
Porque a vida não dilui o que a mãe terra gerou
Sou o brasedo que ficou e aceso permaneceu (…)

Jaime Caetano Braun, Payada

O movimento Vamos Juntos Pelo Brasil, depois da estadia em um dos Estados mais importantes em termos eleitorais, Minas Gerais, chegou ao Rio Grande do Sul. Como se os números não pudessem prescindir de um simbolismo vital à história petista e à reconstrução nacional.

Nada mais simbólico do que um ato pela Soberania Nacional na terra de Getúlio, Jango, Brizola, de inúmeras lideranças e gestões históricas do PT. No momento em que refinarias continuam sendo vendidas, quando querem entregar a Petrobras a toque de caixa, na semana em que tentam doar a Eletrobras e liquidar de vez toda a nossa capacidade de autossuficiência energética, Lula dá o recado: compradores irão se arrepender a partir do ano que vem. Relembrou que, desde a descoberta do pré-sal e da sua utilização na construção da soberania do povo brasileiro, as multinacionais não aceitaram essa política: “Venderam a BR, quebraram a BR. Hoje há 392 empresas importando gasolina dos EUA e vendendo para nós pelo preço internacional”.

As últimas pesquisas mostram um crescimento da candidatura petista no Estado gaúcho. A terra que viu tantos movimentos de insurgência contra desmandos, que viu nascer inúmeros caminhos de criação e desenvolvimento de uma ideia nacional, a terra do orçamento participativo e dos Fóruns Sociais Mundiais foi um dos centros da guinada à direita que vivemos nos últimos anos. Hoje é representada por ruralistas retŕogrados e por defensores de agrotóxicos, pelas figuras mais caricatas deste período de retrocesso (Heinze, Ônix, Amélia, Laisier…). O atual governo tucano, além de sucatear serviços públicos, quebrar o funcionalismo e construir uma dívida social vergonhosa, aderiu ao Regime de Recuperação Fiscal do governo Bolsonaro, que impõe um teto de gastos para o Rio Grande do Sul pelos próximos 10 anos.

Hoje o Estado gaúcho, com 11,4 milhões de habitantes, possui 1,2 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e meio milhão de desempregados. Um quarto das micro e pequenas empresas quebraram. Pequenos e médios produtores conhecem uma pauperização crescente. E a única solução encontrada pelo conservadorismo político que dominou o Estado nos últimos anos foi o sequestro do orçamento.

Jamais o investimento federal no Estado foi tão grande quanto nos governos petistas. Só por meio do PAC 1 e 2, foram R$ 115 bilhões. Na área da Educação, no primeiro Estado a eliminar o analfabetismo (gestão Brizola) e que viu a pobreza ameaçar seus jovens nas últimas décadas do século XX, no período de Lula e Dilma viram a abertura de 33 novas escolas técnicas, 650 creches e o investimento em mais de 2 mil ônibus escolares. Além da Unipampa, inaugurada em 2005 por Lula em Bagé, com campi em mais dez cidades, foram abertos mais 21 campi universitários. Foram mais de 140 mil estudantes beneficiados pelo ProUni e mais de 100 mil pelo Fies.

Em termos de transferências na área da Saúde, os repasses do Fundo Nacional de Saúde aumentaram mais de 60% entre 2010 e 2015. O programa Saúde Não Tem Preço distribuiu medicamentos gratuitos contra hipertensão, diabetes e asma para mais 2,5 milhões de gaúchos. Mais de 3 mil farmácias populares, quase 1300 novas vagas criadas no Mais Médicos que chegaram a 381 municípios, UPAs e UTIs móveis do Samu... Em reação a empregos e geração de renda, foram mais de 3 milhões de vagas com carteira assinada. O Bolsa Família chegou a pagar 463 mil benefícios por ano, foram quase 300 mil imóveis contratados pelo Minha Casa, Minha Vida… Hoje um Estado que exibia um dos melhores padrões de vida no País assiste a uma deterioração crescente, um drama social do qual será difícil se recuperar.

Não foi à toa que Lula manteve encontros com representantes de cooperativas, educadores e setores importantes da economia estadual. Ao lado do seu vice Alckmin, de figuras históricas e atuantes como Olívio, Tarso, Paim e Edegar Pretto, em cada um dos encontros aliou a memória do que já vivemos ao enfrentamento do entreguismo, do descaso social. Em todas as falas, garantiu a construção de um Estado forte que lute pela retomada do desenvolvimento e pela soberania – entendida amplamente, com a retomada de nossos recursos privatizados e também a volta do trabalho e da comida na mesa. Mais que discurso eleitoreiro ou busca de maioria na votação de outubro, foi um chamamento.

O ingresso dos gaúchos na reconstrução do Brasil é, mais que simbólico, essencial para a política progressista nacional. Ante ao espírito separatista, etnocêntrico e egoísta que dominou o Estado nos últimos anos, houve o renascimento do apelo à soberania, que sempre marcou a participação gaúcha nas grandes mudanças nacionais. Pelas pesquisas, cada vez mais gente se lembra que “não há Brasil sem Rio Grande”, que o tempo da tirania dos entreguistas e bem nascidos está chegando ao fim, e que a maioria dos gaúchos persiste na “bendita teimosia de continuar brasileiro”.