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IPEA: Renda habitual do trabalhador teve queda de 6,6% no segundo trimestre. Entenda

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Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dados analisados pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e divulgados nesta sexta-feira (17) mostram que a renda média habitual do trabalhador brasileiro - que não leva em conta acréscimos ou reduções eventuais - teve uma queda de 6,6% no segundo trimestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2020, consolidando uma tendência verificada entre fevereiro e abril deste ano.

Quanto à renda efetiva, houve aumento de 0,9% no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

O levantamento "Retrato dos Rendimentos e Horas Trabalhadas durante a Pandemia" tomou como base os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) e da Pnad Covid, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados levantados pelo IPEA apontam para o que a instituição chama de "início de um retorno à normalidade do mercado de trabalho".

A "normalidade" à qual a pesquisa faz referência não diz respeito à superação dos níveis de desemprego com a criação de novas vagas, mas principalmente à renda daqueles que estão trabalhando, e a diferença entre renda habitual e renda efetiva.

"O mais importante para a economia é a renda efetiva. Um trabalhador por conta própria tira R$ 1.000 por mês de renda habitual. Mas em um mês, por qualquer razão, recebeu R$ 800 (ficou doente e não foi trabalhar, choveu demais e não deu para vender mercadorias ou serviços). No mês seguinte, recebeu R$ 900 pelas mesmas razões. Mas ele estima que recebe R$ 1.000 por mês ou R$ 12.000 por ano pela longa experiência de trabalho. O que importa para ele e para o consumo agregado são os R$ 800 e os R$ 900 que ele efetivamente recebeu. A renda habitual é uma 'proxy' (aproximação) da renda efetiva", explica o economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça.

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Em comparação com o segundo trimestre de 2019, antes da pandemia, os rendimentos habituais caíram 0,9%. O IPEA trabalha com a hipótese de que essa queda registra o movimento do mercado de trabalho durante a pandemia: em um primeiro momento, a renda habitual média subiu, puxada pela permanência do setor público ou de renda superior no mercado de trabalho; neste momento, trabalhadores em posições de menor rendimento têm voltado a desempenhar suas atividades.

"À medida que os trabalhadores informais e por conta própria foram retornando ao mercado de trabalho, o rendimento habitual médio foi se reduzindo, saindo de um pico de R$ 2.730 no trimestre móvel encerrado em setembro para R$ 2.515 no primeiro trimestre de 2021", aponta a pesquisa.

A renda média efetiva, ou seja, aquela que mede o que concretamente os trabalhadores receberam, cresceu 0,9% no segundo trimestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2020.

Neste sentido, há uma reaproximação entre renda efetiva e renda habitual - o que é qualificado como "normalidade": "A partir do trimestre móvel terminado em abril, a renda efetiva manteve-se em média em 99% da renda habitual, sinalizando que o descolamento entre as séries parece ter chegado ao fim no segundo trimestre de 2021".

Mas o IPEA faz um alerta em relação à comparação, e a excepcionalidade dos dados de 2020 por conta da pandemia.

"Visto que na comparação interanual da renda estamos comparando com o pior período relativo ao mercado de trabalho durante a pandemia (segundo trimestre de 2020), ainda é necessário um olhar atento para a renda efetiva e habitual, bem como para o ano de 2019 (pré-pandemia) para captar corretamente a atual conjuntura da renda do trabalho", ressalva.