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Informalidade aumenta e 34,7 milhões trabalham sem carteira assinada

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informalidade ibge maio 2021

A taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro subiu para 40% da população ocupada no trimestre finalizado em maio deste ano. O dado faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e foi divulgado nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Das 86,7 milhões de pessoas ocupadas no País, 34,7 milhões eram trabalhadores sem carteira assinada, pessoas que trabalham por conta própria sem CNPJ e aqueles que trabalham auxiliando a família. No trimestre anterior, a taxa foi de 39,6%, com 34 milhões de informais.

Nesse mesmo período, a taxa de desemprego foi de 14,6%, o que corresponde a 14,8 milhões de pessoas buscando uma oportunidade de tralhalho. Segundo o IBGE, o desemprego apresentou estabilidade quando comparado ao trimestre encerrado em fevereiro (14,4%), mas  foi recorde (14,7%) se comparado aos trimestres fechados em março e abril.

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Para o doutor em Economia Emílio Chernavsky 'não há nada a festejar' com o recuo da taxa de desemprego - que passou de 14,7% para 14,6%. Segundo ele, dos 768 mil trabalhadores que deixaram de estar desocupados, menos de 60% deles 'de fato' conseguiram emprego; mais de 40% se tornaram na verdade 'por conta própria' - geralmente em condição precária, e que estão nessa condição porque não tiveram outra alternativa.

"E, mesmo dentre os empregados, apenas metade conseguiu empregos formais. Ou seja, a grande maioria dos novos ocupados está numa posição instável, com baixa remuneração e nenhuma proteção em caso de acidente ou doença", critica.

Ao comparar os números com os registrados no mesmo mês dos anos anteriores, ressalta que a situação se mostra trágica. "Há hoje um milhão de empregos a menos que havia em maio de 2020, no início da pandemia, e quase 6 milhões a menos que em maio de 2019. Em compensação, há quase 7 milhões a mais de pessoas para ocupá-los. Ou seja, em relação a dois anos atrás, quando a situação já era desesperadora, há hoje cerca de 13 milhões a mais de pessoas desempregadas ou que desistiram de procurar trabalho depois de muito procurar e não encontrar. Definitivamente, não há o que festejar".

De acordo com a pesquisa do IBGE, o contingente de pessoas subutilizadas, que são aquelas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial, foi de 32,9 milhões no trimestre até maio. A taxa composta de subutilização também ficou estável (29,3%) em relação ao trimestre anterior (29,2%).

Os desalentados, que desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais do mercado, somaram 5,7 milhões de pessoas, ficando estáveis em relação ao trimestre anterior, mas cresceram 5,5% frente ao mesmo período de 2020 (5,4 milhões).