Reconta Aí Atualiza Aí “Imagine o atraso no auxílio emergencial se a Caixa não fosse 100% pública”, diz Nelson Barbosa

“Imagine o atraso no auxílio emergencial se a Caixa não fosse 100% pública”, diz Nelson Barbosa

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Participando de um debate sobre reforma do sistema financeiro, o ex-ministro Nelson Barbosa ressaltou nesta quinta-feira (25) o papel dos Bancos Públicos para o Brasil. Durante o evento, o economista questionou o quanto a operacionalização do auxílio emergencial não teria sido dificultada caso a Caixa Econômica Federal não fosse estatal.

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“Eu sou completamente contra abrir o capital da Caixa. Imagina se não fosse 100% pública, a discussão que haveria por parte dos acionistas minoritários, atrasando a concessão do auxílio emergencial”, pontuou.

A fala fez parte de uma exposição baseada na ideia de que não há apenas duas alternativas possíveis – totalmente estatal ou privado. Barbosa concordou com diversas modalidades de presença do Estado na economia.

O ex-ministro defendeu a possibilidade de ganhos de lucratividade nos bancos públicos aumentando-se o volume de empréstimos, sem ampliação do lucro em cima de cada operação. Isso traria efeitos gerais de concorrência e, assim, de redução dos juros no país e aumento da concessão de crédito. O modelo tentado em 2012 foi, segundo ele, vítima de “vários choque políticos internos e choques econômicos externos”.

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“Uma parte pouco debatida do spread é a margem de lucro dos bancos. O que está relacionado à concentração do setor. De certa forma, a tecnologia está enfrentando essa questão”, afirmou, em relação às fintechs. “Como tudo em economia, elas podem ser positivas ou negativas, dependendo da regulação”.

O economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, participou do encontro, que foi promovido pelo deputado federal Pedro Uczai e mediado por Ricardo Berzoini.

Reconhecendo o a emergência das fintechs como algo que “veio para ficar”, Mendonça destacou que no curto prazo elas ainda não apresentam uma alternativa à concentração bancária. Lembrando que boa parte do crédito às pequenas empresas vem das instituições públicas, o economista defendeu o fortalecimento destes órgãos.

“É preciso de crédito para gerar emprego e renda. Mas os bancos privados estão descolados do Brasil. Quem toma crédito? Boa parte das empresas no país investe através do seu lucro, não tomando empréstimos”, destacou. “Eu só vejo uma solução: atuar através dos Bancos Públicos”.

Barbosa seguiu na mesma linha: “Nós temos que capitalizar os Bancos Públicos. Está lançado o Projeto Sérgio Mendonça”, disse, de forma bem-humorada.

Também integrante do debate, Juvândia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, defendeu a regulação urgente das fintechs: “Nós nos perguntamos o quanto pode gerar de problemas se não houver regulação desses novos instrumentos”.

De outro lado, Moreira denunciou que o governo caminha na direção contrária das propostas que foram levantadas no debate.

“O governo está fechando agências bancárias em municípios que só contam com uma unidade de Banco Público. As pessoas terão que se locomover 70 km para sacar aposentadoria”, criticou.

Coube a Moreira resumir o espírito do debate – “A relação crédito/PIB tem de aumentar, através prioritariamente dos Bancos Públicos. A desconcentração bancária deve ser acompanhada de regulação e sem promover precarização do trabalho” -, sendo complementada por Berzoini: “Queremos Bancos Públicos não para gerarem empregos dentro deles, mas para gerar empregos no setor privado”.

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