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IEMA alerta para a poluição do ar decorrente de novos projetos termelétricos em Macaé (RJ)

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Um estudo publicado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) revela que os habitantes de Macaé, no Rio de Janeiro, respiraram por 88 dias uma quantidade de ozônio acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O fato ocorreu em 2020 e motivou a nota técnica “Qualidade do ar em Macaé (RJ)”.

Na cidadade do norte fluminense já há duas usinas termelétricas em funcionamento. Porém, o que mais preocupa os especialistas é que há planos da expansão da capacidade de geração de energia em mais de oito vezes. Isso irá gerar um grande aumento na queima de combustíveis fósseis, que pode fazer com que a população sofra ainda mais com doenças crônicas causadas pela inadequada qualidade do ar.  

“É preciso atender aos dois objetivos ao mesmo tempo: proteger a saúde da população local e garantir a geração elétrica para o desenvolvimento socioeconômico do País”, afirma David Tsai, coordenador de projetos do IEMA e um dos autores do estudo. O aumento projetado de termelétricas novas ou ligadas por mais tempo mostra que a população de Macaé será particularmente afetada.

A expansão da geração de energia termelétrica em Macaé

Atualmente, Macaé tem dois polos de processamento de gás natural (Petrobras e Shell/Mitsubishi) e duas usinas termelétricas (UTEs) a gás natural: a UTE Termomacaé (antiga Mário Lago) com 922 MW de potência e a UTE Norte Fluminense com quase 827 MW. Essa estrutura, conforme explica o IEMA, representa 4% da potência termelétrica total instalada no Brasil.

A expansão prevê a instalação de quatro novos parques termelétricos: Litos, São João Batista, Vale Azul e Nossa Senhora de Fátima, além da expansão de um parque existente (Norte Fluminense), do Terminal Portuário de Macaé (Tepor) e de uma nova unidade de processamento de gás natural.

Os problemas encontrados pelo IEMA

  1. O IEMA afirma que existem lacunas na produção dos dados diários pelas quatro estações que operam no município. As estações Fazenda Severina, Pesagro, Cabiúnas e Fazenda Aires não têm informado dados em quantidade e qualidade suficentes.
  2. Mesmo com a deficiência das medições, foi possível observar frequentes concentrações do poluente ozônio (O3) acima das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e episódios críticos de poluição por dióxido de enxofre (SO2).
  3. Apesar da questão da poluição do ar ser um problema reconhecido pelo poder público local e pelo setor elétrico, a expansão do polo de energia centrado na exploração do gás natural, segue em pauta, e gerará ainda mais poluentes.  

“Aumentar as emissões de poluentes em uma região já saturada, com problema de poluição por ozônio, é inadequado. O setor elétrico e os governos precisam se atentar a essa questão”, alerta Tsai. No mesmo sentido, completa: “Macaé pode até continuar expandindo sua geração elétrica, mas isso deve ser feito sem agravar a qualidade do ar. É preciso empregar tecnologias mais limpas ou, caso não seja possível, expandir a geração elétrica para outros locais respeitando sua capacidade de suporte à carga de poluentes”.

Melhorar a qualidade do ar é um desafio para o mundo

A queima de combustíveis fósseis está diretamente ligada às mudanças climáticas, segundo o sexto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU).

E, as mudanças climáticas já em curso estão causando tragédias para a humanidade. Além do aumento do número de perdas de vidas em desastres ambientais como enchentes, secas, tornados e furacões, há um forte impacto das mudanças climáticas na proodução de alimentos, por exemplo. Em 2021, a seca prolongada junto ao inverno rigoroso ocasionou uma retração no PIB.

Os dados utilizados na elaboração da nota técnica foram produzidos pelas estações de qualidade do ar  operadas por empreendimentos potencialmente poluidores e enviados em tempo real para a central do Instituto Estadual do Ambiente (INEA). O IEMA inclui esses dados na sua Plataforma da Qualidade do Ar e a disponibiliza para a população de forma padronizada e acesível.






Ar poluído 
O ozônio na baixa atmosfera não é emitido diretamente, mas formado em reações químicas que ocorrem sob influência de elevadas temperaturas e níveis de radiação solar, tendo como reagentes principais (os “ingredientes da receita”) os compostos orgânicos voláteis não metano (COVNM) e os óxidos de nitrogênio (NOx), ambos poluentes emitidos diretamente pelas fontes poluidoras. 

Segundo dados do SEEG Municípios, as usinas termelétricas foram responsáveis por 41% das emissões totais desses compostos orgânicos voláteis no município no ano de 2018. O demais é proveniente do transporte na região, com destaque para as emissões associadas a automóveis e motocicletas. Com relação aos óxidos de nitrogênio, a maior parte das emissões, mais de 70%, são das usinas termelétricas. A queima de óleo diesel no transporte rodoviário, principalmente a partir de caminhões e ônibus, responde por 14%. 


Qualidade do ar 
Os dados analisados na Nota Técnica são produzidos pelas estações de qualidade do ar  operadas por empreendimentos potencialmente poluidores e enviados em tempo real para a central do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) onde são armazenados, processados e disponibilizados no endereço eletrônico do órgão público. O IEMA inclui esses dados na sua Plataforma da Qualidade do Ar, uma ferramenta que reúne e padroniza as informações do monitoramento da qualidade do ar gerados por órgãos do poder público de todo o Brasil. 

As informações publicadas pelo INEA indicam quatro estações de monitoramento automático da qualidade do ar operando em Macaé: Fazenda Severina (desde 2002), Pesagro (também desde 2002), Fazenda Aires (a partir de 2003) e Cabiúnas (2010). Os poluentes monitorados por essas estações são o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NOx), o ozônio (O3), hidrocarbonetos (HC), material particulado (MP10), partículas totais em suspensão (PTS) e dióxido de enxofre (SO2). Os três últimos são apenas monitorados pela estação Cabiúnas.