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IBGE: Atlas do Espaço Rural mostra desigualdade racial no acesso à terra

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Há 100 anos era realizado o primeiro Censo Agropecuário brasileiro, uma investigação estatística e territorial sobre a produção rural no País. O primeiro Censo Agro foi realizado pela Diretoria Geral de Estatística (DGE), Órgão do extinto Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. A partir dessa operação pioneira, foram mais 10 edições, sendo a última em 2017, totalizando 11 Censos.

Como parte das comemorações deste centenário, o IBGE lançou hoje (15) a segunda edição do Atlas do Espaço Rural Brasileiro – uma publicação com informações sobre as características do produtor e dos estabelecimentos agropecuários, evidenciando as diversidades e desigualdades territoriais presentes nos estabelecimentos pesquisados no País.

Mesmo que a realidade do campo tenha mudado em muitos aspectos – como tecnologia e produtividade – certas estruturas continuaram as mesmas. Entre elas, destacam-se a concentração de terras e a desigualdade.

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Pretos, pardos e brancos

Pela primeira vez nos 100 anos do Censo Agropecuário, a cor ou raça dos donos da terra foi levada em conta.

Apesar de pretos e pardos possuirem 50,4% das propriedades rurais, o tamanho delas é bem menor: quanto maior é o estabelecimento rural, maior a predominância de produtores brancos.

Mayrá Lima, doutora em Ciência Política, aponta a importância do IBGE ter incluído dados referentes à cor e raça. “É um dado importante, inclusive para a análise de como a concentrada estrutura fundiária também se conecta com o racismo, histórico e também estrutural na sociedade brasileira”, disse.

Mapa: IBGE
Laranja: Pardos, Azul: Brancos, Rosa: Pretos, Amarelo: Amarelos, Verde: Indígenas

De acordo com o Atlas, a divisão geral do número de proprietários sem distinção do tamanho do território foi a seguinte: brancos 47,9%; pardos 42,6%; pretos 7,8%; indígenas 0,8% e amarelos 0,6%.

Porém, ao acrescentar o tamanho da propriedade, as estatísticas mostram outra realidade. Em propriedades com até 1 hectare, o levantamento aponta que 57,9% declararam-se como de cor ou raça parda; 25,5% branca; 13,6% preta; 8,3% indígena e 1,8% amarela.

“Se considerarmos negros enquanto a soma dos pretos e pardos, há um apontamento para as pequenas propriedades. Muitos deles são assentados de reforma agrária ou agricultores familiares, cujas políticas são restritas em termos de orçamento, principalmente durante o Governo Bolsonaro”, afimou a cientista política.

Nas grandes propriedades com mais de 500 hectares, 72,2% dos produtores proprietários são brancos; já o número de pardos (23,9%) e pretos (2,5%) decresce muito. No mesmo sentido, o de indígenas (0,4%) amarelos (0,06%) quase some.

E essa desigualdade se aprofunda ainda mais nas propriedades de mil a dez mil hectares. O número de proprietários brancos (74,7%) é o triplo do número de pretos ou pardos somados (23,8%). Já entre os produtores cujas propriedades têm mais de 10 mil hectares, brancos possuem 79% das terras e pretos e pardos somados, 18,9%.

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