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História do Pantanal é retratada pelo IBGE

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Imagem do site Recontaai.com.br

Estudo realizado pelo IBGE com imagens de satélites e pesquisas de campo demonstra que entre os anos 2000 e 2018, 87,5% do Pantanal estava preservado.

Imagem do entardecer no Pantanal em 2017.Foto: Biólogo Marcelo Simões

De acordo com a edição Contas de Ecossistemas: o Uso da Terra nos Biomas Brasileiros (2000-2018), que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (24), o Pantanal foi um dos biomas menos devastados no período. O percentual de perda de áreas naturais do território foi de 1,6% nas quase duas décadas. O estudo aponta ainda que dos 2,1 mil km² perdidos em 18 anos, 60% foi dedicado às pastagens com manejo.

Baseado em imagens de satélites e com pesquisas de campo, o estudo buscou compreender as mudanças das paisagens de todos os biomas brasileiros, assim como a preservação dos ecossisstemas. No mesmo sentido, buscou também compreender quais mudanças ocorreram e as atividades econômicas e produtivas por trás disso.

Dessa forma, foram observadas em todo o país a mudança do uso da terra de áreas naturais conservadas para agricultura, pastagem e silvicultura.

Tamanduá em meio às cercas no Pantanal em Mato Grosso.Foto: Biólogo Marcelo Simões

Vegetação nativa substituída por pasto

Foto: Biólogo Marcelo Simões

No ano de 2018 – ponto de chegada do estudo, o Pantanal tinha 87,5% da sua cobertura natural preservada. Vegetação florestal, campestre e áreas úmidas foram consideradas.

Contudo, o estudo mostra que a devastação, apesar de baixa, se acentuou a partir de 2016. “É uma conversão típica do bioma: o pasto nativo vai sendo substituído por uma pastagem com inserção de técnicas e tecnologias agropecuárias”, afirma Maria Luisa Pimenta, gerente de Contas e Estatísticas Ambientais do IBGE.

2020: o ano da devastação do Pantanal

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de 21 de setembro mostram que foram registrados 16 mil focos de incêndio somente este ano. O fogo já destruiu pelo menos 15% do bioma da região, acabando não só com a cobertura vegetal, mas matando animais e expulsando as populações que lá vivem. Algumas há milênios, como os indígenas.

Apesar do negacionismo do governo, plataformas como a Fakebook Eco, que combate a desinformação sobre a questão ambiental, mostram que a tendência apresentada pelo estudo se acelerou. A ação humana tem devastado o bioma e acabado com possibilidades econômicas sustentáveis.

De acordo com dados apurados pela ONG Pantheras Brasil, somente em 2019, o turismo para a observação de onças rendeu sete milhões de dólares à região de Porto Jofre, o que mostra seu potencial altíssimo e ainda pouco explorado.

A mentalidade da não-conservação aliada ao desfinanciamento do serviço público, principalmente da área ambiental, podem gerar prejuízos financeiros, culturais e perdas para toda a humanidade.