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Há mais de 20 anos São Paulo tem poluição do ar acima do recomendado

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Poluição atmosférica

Há 22 anos moradores e visitantes da cidade de São Paulo respiram um ar mais poluído do que o recomendado pelas diretrizes de qualidade do ar da Organização Mundial de Saúde (OMS). A informação foi publicada hoje (26) em uma nota técnica elaborada pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).

A nota informa que mesmo nos anos em que houve maior isolamento social e menor poluição atmoférica advinda da queima de combustíveis fósseis por automóveis - 2020 e 2021 - os paulistanos ainda respiravam um ar que continha mais material particulado (MP2,5 e 10), ozônio (O3) e dióxido de nitrogênio (NO2) do que o preconizado pela OMS.

"Quanto maior a concentração de poluentes, mais a saúde é afetada", explica David Tsai, gerente de projetos no IEMA e coordenador do estudo sobre a poluição do ar no município. Ele ressalta que os poluentes do ar têm efeito agudo e crônico na saúde humana, o que favorece doenças do sistema respiratório - como asma, promovendo o envelhecimento precoce da população exposta aos poluentes por tantos anos.

Os efeitos da poluição atmosférica na Saúde

A cada ano, cerca de 7 milhões de pessoas morrem em decorrência da poluição atmosférica, segundo estimativas da OMS. Somente nas Américas, ocorrem 300 mil óbitos por esse motivo. Ainda segundo a OMS, a poluição afeta todos os órgãos do corpo humano e também age sobre animais e plantas.

“O objetivo da nossa nota técnica é alertar a necessidade de se reduzir as emissões de poluentes em São Paulo. Para isso, precisa-se reduzir radicalmente a circulação de veículos na cidade, investindo em transporte público e transporte ativo”, diz Tsai.

As causas da poluição atmosférica em São Paulo

Segundo o IEMA, a qualidade do ar de São Paulo e da regão metropolitana é consequência, principalmente, das emissões veiculares. Ou seja, é influenciada diretamente pela quantidade de carros, motos, caminhões e ônibus nas cidades.

Na análise realizada pelo IEMA entre 2000 e 2021 foi considerada a evolução anual de três poluentes: o material particulado, o ozônio e o dióxido de nitrogênio, todos eles com relação direta com a emissão veicular, além de outras fontes.

Os vilões da qualidade do ar

Cada um deles teve uma evolução diferente ao longo do tempo, porém todos se mantiveram acima dos limites recomendados. O Ozônio, por exemplo, esteve em patamares elevados, ainda que variasse ano a ano. O Ozônio é formado pela interação entre a radiação solar, poluentes óxidos de nitrogênio (NOx, NO e NO2) e os compostos orgânicos voláteis (hidrocarbonetos). Os últimos derivados principalmente do uso de combustíveis. “Esse é um poluente complexo de eliminar porque ele se forma na atmosfera devido a diversos fatores, naturais e antrópicos”, explica Tsai.

Houve uma redução constante da concentração de Dióxido de Nitrogênio (NO2) na atmosfera de São Paulo. O motivo, conforme explica a nota técnica, foi a diminuição de poluentes emitidos por automóveis. “Desde 2000, nota-se uma redução do poluente, o que pode ser explicado pelo fato de os veículos emitirem menos devido ao Programa de controle de emissões veiculares (Proconve), iniciado em 1986”, afirmou Tsai. Porém, ainda assim a concentração do poluente está longe do ideal - 10 microgramas por metro quadrado- chegando a ter até o quintuplo do recomendado em áreas como a Marginal Tietê.

O último poluente analisado, o material particulado, também está muito acima das recomendações médicas. O mais fino, cuja notação é MP2,5, alcançou uma concentração quase quatro vezes maior do que o recomendado, e o mais grosso, MP10, apresentou o dobro da concentração.

Os dados

As informações utilizadas pela nota técnica elaborada pelo IEMA foram obtidas por meio de dados do sistema de informação da qualidade do ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), o Qualar, que também estão disponíveis na Plataforma de Qualidade do Ar do IEMA.

O IEMA ressalta que somente 11 unidades da federação (estados e Distrito Federal) possuem redes de monitoramento da qualidade do ar, o que transforma a Plataforma da Qualidade do Ar do IEMA na fonte de informações de dados brasileiros.