Pular para o conteúdo principal

Guerra entre Rússia e Ucrânia pode influenciar eleições no Brasil

Imagem
Arquivo de Imagem
Rússia x Ucrânia

A escalada de tensões entre Rússia e Ucrânia desde segunda-feira (21) - que culminou com bombardeios russos na madrugada desta quinta-feira (24) - pode influenciar o Brasil, inclusive do ponto de vista eleitoral. A análise é de Alberto Carlos Almeida, cientista político, sociólogo e professor universitário.

De acordo com ele, essa influência se dará pelo provável aumento da inflação que virá por dois fatores principais: o aumento do preço dos combustíveis e o aumento do preço dos fertilizantes no Brasil. Isso gerará uma piora no cenário econômico nacional, que tenderá a ser vista pelo brasileiros como culpa do presidente Bolsonaro, explica o especialista.

Pela primeira vez desde 2014 o barril de pretróleo Brent atingiu mais de 100 dólares no mercado internacional, como havia projetado ontem, o especialista em energia Luciano Costa. "Isso provavelmente terá uma implicação nos preços dos combustíveis, e vai afetar a vida de todos os brasileiros", reforça Almeida.

Porém, a situação dos fertilizantes é menos visível. Almeida aponta que a Ucrânia e a Rússia têm grandes jazidas de fósforo e potássio, dois dos principais ingredientes utilizados pelo agronegócio na fertilização da terra. "O fato da Ucrânia ter jazidas imensas de fósforo e potássio pode ter impacto no preço dos fertilizantes, que já tinham aumentado muito desde o início da pandemia." explica o professor. Isso tende a ter impacto no preço dos alimentos.

Leia também
- Guerra na Ucrânia: Sanções econômicas não farão a Rússia parar, explica especialista
- Taxa de desemprego em 2022 ficará próxima do índice de 2021, projeta economista Sérgio Mendonça

"Tudo isso é má notícia para quem está no governo", afirma Almeida. O professor ainda prossegue "O eleitorado não leva em consideração cadeias complexas de causa e consequência", por isso, qualquer mudança negativa para a economia nacional tenderá a ser atribuida ao presidente da República.

Assim, Almeida avalia que a punição dada a Bolsonaro por um possível aumento na inflação decorrente da guerra virá em forma de uma perda de avaliação positiva e, talvez, em uma perda de votos.