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Guedes sai derrotado em votação de congelamento salarial

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Imagem do site Recontaai.com.br

O ministro da Economia, Paulo Guedes, sofreu um novo revés político na votação realizada no Senado sobre o congelamento salarial de servidores públicos. O texto – batizado como Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus (PLP 39/2020) – foi enviado ao Planalto para sanção presidencial.

A derrota amplia a lista de recentes desgastes em sua atuação. O Senado, que acatou as modificações vindas da Câmara, confirmou a ampliação – uma emenda apresentada pelo PDT, da oposição – do número de categorias que foram excluídas de um projeto que congela vencimentos públicos por 18 meses.

A regra não se aplicará, por decisão da Casa, a professores e profissionais envolvidos no combate à pandemia.

Nesta quinta-feira (7), entretanto, Bolsonaro declarou que “o parlamento entendeu que certas categorias poderiam ter o aumento nos próximos meses. Mas se ele [Paulo Guedes] acha que deve ser vetado esse dispositivo, assim será feito”.

A pasta de Guedes esperava economizar R$ 130 bilhões com o congelamento. A estimativa, agora, é que sejam poupados R$ 43 bilhões, número inferior aos R$ 60 bilhões de ajuda federal a estados e municípios. O congelamento era visto pela equipe econômica como uma contrapartida ao socorro que será prestado.

Guedes na frigideira

Após a demissão de Sérgio Moro, foi cogitado que Guedes – além da ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias – deixaria o governo. Os rumores se intensificaram após o lançamento do programa Pró-Brasil, articulado pela Casa Civil ao largo da Economia.

Após reações da equipe econômica, um compromisso, provisório, entre as pastas foi anunciado. Anteriormente, Guedes chegou a colocar o cargo à disposição, segundo a imprensa.

Na votação no Senado, entretanto, a temperatura voltou a subir. Líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO) afirmou que a exclusão de novas categorias do congelamento – “possível facada” em Guedes – foi feita a pedido e com o aval de Jair Bolsonaro. O deputado foi ainda mais longe, defendendo a ampliação de reajustes a outros profissionais, o que o Senado, ao menos neste momento, não aceitou.

“Liguei para o presidente e me certifiquei que essa era a melhor solução. E isso aconteceu”, afirmou Vitor Hugo.

A fala, neste sentido, fez retornar a percepção de que o governo está dividido em torno de que linha de política econômica se deve adotar a partir de agora para conter os efeitos da pandemia.