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Governo Federal usa imagem de homem armado para homenagear agricultores

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secom

Agricultores familiares repudiaram nesta quarta-feira (28) a publicação do Governo Federal em homenagem ao Dia do Agricultor. A postagem - que traz a imagem de uma pessoa no campo segurando uma espingarda - foi publicada no twitter da Secretaria de Comunicação Social da Presidência logo pela manhã, mas foi apagada à tarde, após várias críticas nas redes sociais.

"A Contag repudia totalmente essa postagem feita nas redes oficiais do governo e, enquanto representante dos agricultores e agricultoras familiares, expressa a sua indignação", disse a Contag em nota.

A arma no lugar da enxada

Para doutora em Ciência Política, Mayrá Lima, os números da violência no campo refletem a opção do governo Bolsonaro em relação às políticas ruralistas e também de legislações aprovadas recentemente.

"O uso de armas, agora permitido em toda a propriedade rural e o nítido apoio à manutenção da grande propriedade rural - que reverte em uma espécie de 'salvo conduto' ao desmatamento e à invasão de territórios tradicionalmente ocupados - são exemplos. Além disso, a pandemia também fortalece essas políticas e posturas governamentais, facilitadas pela dificuldade de organização para a resistência devido às possibilidades de contaminação", disse.

Mayrá aponta que são grandes os desafios que a agricultura familiar - responsável por produzir 70% dos alimentos que chegam diariamente à mesa da população brasileira - tem neste governo. Segundo ela, há uma "dissolução das diferenças", com um apagamento do social quando se trata de agricultura.

"Há duas posturas a serem consideradas: a junção, pelo MAPA, da agricultura familiar às políticas do grande agronegócio, com o sucateamento de políticas como o PAA e a obtenção de terras para a reforma agrária; e o esforço constante da titulação de terras em áreas de reforma agrária que olham mais para a relação da propriedade que com um plano concreto de produção de alimentos", apontou. "A pandemia escancarou mais ainda essas dificuldades. Lembremos que legislações aprovadas para subsidiar este setor foram vetadas pelo Governo", complementa.

Sobre a imagem escolhida pela Secom, Mayrá é direta: "Sintetiza a imagem de um jagunço e não de um agricultor. Fala de uma pessoa que promove a violência e não de quem produz alimento. É uma inversão do próprio papel da agricultura na sociedade", disse.