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Governadores do Nordeste lançam "Carta de Natal" em defesa da democracia

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Reagindo às convocações bolsonaristas para a realização de atos que contestam as instituições democráticas, os nove governadores do Nordeste aprovaram a Carta de Natal, após uma reunião realizada na capital do Rio Grande do Norte na quarta-feira (25).

No texto, os governantes "conclamam a sociedade e as instituições a uma atitude firme em defesa da legalidade e da paz. Somente assim o Brasil terá condições de combater a inflação, o desemprego e a pobreza, que crescem nos lares das famílias da nossa Nação".

"É um compromisso com a defesa da Democracia, com o cumprimento da Constituição e da Lei. Para alcançar grandes resultados sociais e econômicos", complementou Wellington Dias (PT), governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste.

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Os gestores, no documento, também são enfáticos em relação a um dos temores que têm tomado conta do meio político: a participação de policiais militares nas manifestações.

"Reafirmamos que as instituições estaduais cumprirão a missão de proteger a ordem pública e, por isso mesmo, não participarão de qualquer ação que esteja fora da Constituição. Não permitiremos que atos irresponsáveis tumultuem o Brasil", diz o documento.

Além de Dias, assinam a Carta os governadores de Alagoas, Renan Filho (MDB); Bahia, Rui Costa (PT); Ceará, Camilo Santana (PT); Maranhão, Flávio Dino (PSB); Paraíba, João Azevedo (PSB); Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT); e as vice-governadoras de Pernambuco, Luciana Santos (PCdoB), e de Sergipe, Eliane Aquino (PT).

A Carta de Natal é mais um esforço político de contenção das mobilizações que Jair Bolsonaro tem realizado. O presidente tem culpado os governadores pela situação econômica e acusa a existência de uma conspiração fantasiosa contra ele que envolveria principalmente o Supremo Tribunal Federal. O chefe do Executivo federal chegou a protocolar no Senado pedidos de impeachment contra ministros da Corte, o que foi visto como um ataque à independência dos poderes.

No começo da semana, os governadores de 26 unidades federativas consensualizaram um pedido de reunião com os chefes do Executivo federal, do Legislativo, do Judiciário e das Forças Armadas. A intenção é diminuir as tensões e encaminhar pactos para a superação da crise econômica, sanitária e política.