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Gasolina: Especialista afirma que custos da Petrobras não mudaram com guerra na Ucrânia

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desculpas bolsonaro

Mais uma das desculpas dadas por Bolsonaro para o aumento do preço da gasolina - e do gás, diesel e até etanol - foi desmentida por um especialista. Ricardo de Andrade Medronho, professor emérito do departamento de Engenharia Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), questiona:

"O que mudou nos custos de produção da Petrobras com o início da guerra da Ucrânia? Nada ou praticamente nada". No mesmo sentido, o professor afirma: "Mas, de um dia para o outro, o preço do barril de petróleo disparou, impactando os nossos preços de GLP, gasolina, diesel, etc".

Oscilações do mercado internacional e do câmbio influenciam, mas o governo controla a Petrobras

Analisando o preço do combustível no governo Dilma Rousseff (janeiro de 2011 a maio de 2016), quando o barril de petróleo diminuiu de US$ 92,69 para US$ 45,94, Medronho explica: "Realmente o preço do barril de petróleo caiu 50,4% (passou a custar praticamente a metade). Porém, o dólar disparou 108% (mais do que dobrou). Assim, fazendo uma conta bem rasteira, a diferença entre o aumento do dólar e a redução no preço do barril de petróleo foi de '108,0% - 50,4% = 57,6%' e o custo do diesel subiu menos que isso, apenas 51,5%".

E isso só aconteceu porque apesar de repassar parte do preço internacional, sob Dilma a Petrobras tinha autonomia para definir seus preços. Algo que mudou radicalmente no governo Temer: "Os preços saíram de controle com a adoção, em outubro de 2016, já no governo Temer, do preço de paridade internacional (PPI), que atrela nossos preços de combustível ao preço internacional do barril de petróleo e, consequentemente, também ao dólar, apesar de nosso custo interno de produção ser muito menor do que o preço internacional", esclarece o especialista.

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Temer plantou o PPI e povo colhe os frutos no governo Bolsonaro

A autonomia do governo em relação à precificação do combustível utilizando a Petrobras, uma empresa pública que legalmente deve atender a uma função social, acabou durante o governo Temer, mas a situação piorou de fato sob Bolsonaro: "Os muito pobres passaram a ter que cozinhar com lenha porque não podem pagar o preço atual absurdo de um botijão de gás!", relembra Medronho. Em oposição, os acionistas da Petrobras, afirma o especialista, estão bastante contentes com o lucro estratosférico da estatal.

Contudo, os problemas ocasionados pelo PPI não se restringem apenas ao preço do combustível, mas afetam a inflação do País e toda a economia. "Nosso sistema de distribuição de alimentos é praticamente todo dominado pelo transporte em caminhões, que usam óleo diesel, e os aumentos no preço do diesel impactam diretamente no preço dos alimentos", afirma o professor.

Gasolina, diesel, greve dos caminhoneiros e a democracia

Outra consequência da maior parte dos produtos brasileiros serem transportados por caminhões é o imenso poder que os caminhoneiros têm de intervir na política, nem sempre de forma qualificada, como ocorre hoje com o investigado e autointitulado líder dos caminhoneiros Zé Trovão.

Bolsonarista, "Trovão" vem segurando uma greve mesmo com a imensa piora da situação de trabalho dos caminhoneiros, sobretudo os autônomos. Analistas projetam que o autointitulado líder pode deflagar a greve caso Bolsonaro seja democraticamente retirado do poder, utilizando os caminhoneiros como massa de manobra, agradando mais aos patrões do que aos trabalhadores.