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Gasolina: depender da iniciativa privada para abastecimento de combustíveis é um erro, diz FUP

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) vêm alertando para o risco de desabastecimento de combustíveis, fazendo coro a avisos de empresas de distribuição. Para a entidade, o principal fator que pode levar a esta situação é a política de preços da Petrobras, adotada em 2016. A ideia da estatal, de favorecer a importação, não resolverá o problema.

"No 3º trimestre de 2021, as importações de gasolina subiram 281,8% e diesel outros 45,8% em comparação com o trimestre anterior. Nos nove meses de 2021, a importação de diesel subiu 916,7% e gasolina 63,6%, em relação ao mesmo período do ano passado. Para a empresa, isso acontece 'devido ao aumento das vendas no mercado doméstico'. A empresa não se preparou para o momento de retomada da circulação de pessoas e mercadorias que iria acontecer pós pandemia", defende Cloviomar Caranine, técnico do Dieese na Federação Única dos Petroleiros (FUP).

A política de preços da Petrobras, que alinha o preço praticado dentro do Brasil com o preço internacional do barril, tende a ser um obstáculo ao refinamento interno e um estímulo à importação. Mas só o primeiro elemento se concretizou.

"As refinarias estão com 85% de sua utilização, poderiam aumentar a produção e suprir parte das importações. A escolha da empresa tem sido focar na exportação de petróleo cru, reduzir investimentos nas refinarias, até mesmo tentando vender. Além disso, a estratégia adotada pelo governo Temer desde 2016, de redução do refino para estimular os importadores entrarem no mercado interno, não deu certo. Neste momento, eles não aumentaram suas importações", complementa ele.

Isto ocorre porque, na visão de Caranine, o setor privado considera que a política de preços não é suficiente para estimular o setor, que quer garantias máximas e absolutas de retorno de seus investimentos. Ou seja, lucros certos.

"O setor privado importador depende da paridade de preços da Petrobras. Eles pressionam para que a empresa acompanhe os preços internacionais, mas acham que 'a qualquer momento' o governo pode interferir e reduzir os preços. É um erro acreditar na iniciativa privada como garantidora do abastecimento. Eles só importarão se conseguirem preços maiores no mercado interno", diz.

Para a FUP, é necessário não só retomar o refino, mas expandir o parque, ao contrário do que tem sido feito: "O País tem produção de petróleo maior que nosso consumo, mas a capacidade das nossas refinarias não atendem a demanda, mesmo a 100%. Precisaríamos de outras refinarias, segundo a ANP, 2 pelo menos, para ter a capacidade de abastecer toda a demanda interna".