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Frio extremo eleva ainda mais o preço da alimentação

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De acordo com especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o frio extremo que atingiu o Sul e o Sudeste do Brasil poderá encarecer ainda mais os alimentos no País. Além das baixas temperaturas, as geadas - e até neve - colaboram para que vegetais fiquem impróprios para o consumo e para que animais produzam menos.

Frango e ovos

Juliana Ferraz, analista da equipes de ovos, aves e suínos do Cepea, afirma que durante o inverno "é comum que as galinhas diminuam a postura por conta das funções biológicas das aves". Contudo, a especialista alerta que o frio faz com que o custo de produção aumente, pois eles comem mais para aumentar o ganho energético e se manter aquecidas.

"Como a maioria das granjas, especialmente de frango de corte, possuem ambientes controlados, o maior impacto das ondas de frio sobre a produção está atrelado ao custo de produção, principalmente no que diz respeito aos insumos nutricionais".

Isso faz com que a principal preocupação dos produtores recaia sobre o principal componente da alimentação das aves, o milho. Por causa dos efeitos climáticos durante a semeadura e o desenvolvimento das lavouras, existe uma preocupaão com a disponibilidade do alimento. "A redução no potencial produtivo das lavouras tende a impulsionar as cotações do cereal", explica Ferraz. No mesmo sentido, a analista relembra que os estoques de milho estão baixos comparado a anos anteriores e que antes do frio extremo o preço do ceral já estava em alta, devido a outros fatores, como a alta do dólar.

Apesar de o Cepea não fazer projeção de preços de alimentos, a especialista afirma: "A expectativa é de que a medida que o custo de produção aumente, reajustes de preços sejam realizados e repassados para outros elos da cadeia, inclusive, o consumidor final".

Arroz e outros grãos

Sobre o arroz - grão que se tornou símbolo da alta de preço dos alimentos - e outros grãos, quem discorre é o pesquisador Lucilio Alves, responsável pelas Equipes de Grãos, Fibras e Amidos do Cepea. De acordo com ele, o ceral mais impactado pela onde de frio será o milho de segunda safra. "As geadas também afetaram parcialmente as lavouras de trigo, mas de forma menos intensa", afirma o pesquisador, que completa que as perdas ainda não foram mensuradas.

Os estados que tiveram suas lavouras mais afetadas foram Paraná, parte sul dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Em relação aos preços, Lucilio Alves comenta: "Com possibilidade de redução da oferta, os preços inverteram as quedas parciais que vinham ocorrendo e passaram a subir. Agora, no curto prazo, não há sinais de novas reduções".

O frio extremo vai aumentar o preço de verduras, frutas e legumes

Manga, banana, alface, uva, laranja, mexerica, batata e tomate, foram os hortifrutis que tiveram as maiores perdas por causa do frio extremo segundo o HFBrasil/Cepea. No boletim do dia 26/07, divulgado pela instituição, os prejuízos foram descritos pelos especialistas. Por causa da escassez causada pelo frio, esses produtos tendem a ter aumento de preços.

Cenoura, cebola e maçã, foram os menos afetados entre os hortifrutis perquisados. Contudo, há previsão de novas ondas de frio para o mês de agosto, algo que pode acarretar prejuízos a outras culturas e lavouras.