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Frente ampla elege ex-líder estudantil Gabriel Boric à presidência do Chile

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Boric vence eleições chilenas

Em uma eleição polarizada em que dois legados estavam em disputa, o ex-líder estudantil de 35 anos de idade, Gabriel Boric, venceu. Junto a Boric, venceram os protestos contra o neoliberalismo que tomaram o Chile desde 2019, os movimentos sociais e a nova Constituição do País.

Boric alcançou 55,9% dos votos, contra 44,1% de José Antonio Kast, um advogado de extrema direita conhecido pelo seu apoio ao ditador chileno Augusto Pinochet. Tal como outros candidatos de extrema direita pelo mundo, Kast criou para si a imagem de outsider. Contudo, é um velho conhecido dos chilenos, já que foi deputado federal por 16 anos antes de se candidatar para segundo vez à presidência.

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Boric

Apesar de não ter vencido no primeiro turno, Boric conseguiu convencer a maior parte dos Chilenos no segundo. Além do receio em eleger um ultraconservador, o Chile optou por um presidente que coloque em prática a nova Constituição do País, que busca encerrar o passado neoliberal.

O novo presidente do Chile, que será empossado no ano que vem, é considerado por especialistas como social-democrata: liberal nos costumes e adepto de um estado de bem-estar social nos moldes europeus. Em seu discurso de vencedor, Boric falou sobre a principal meta de seu governo: "que todos tenham os mesmos direitos, independentemente de quanto dinheiro possuem na carteira".

Nascido no estremo Sul do Chile, Boric foi vitorioso na maior parte das províncias - de Magallanes no extremo Sul a Antofagasta no Norte - mostrando que os ventos da mudança ultrapassaram os grandes centros urbanos, como previam alguns analistas. Já Kast ganhou em Araucanía, província em que há um intenso avanço de empresas sobre as terras dos nativos chilenos, os Mapuches.

Boric concluiu em seu discurso de vitória: “Vou ser o presidente de todos os chilenos, porque acho importante ter interlocução com todos, e os acordos devem ser entre todas as pessoas e não entre quatro paredes”.

Repercussão

No Brasil, Boric foi cumprimentado pelas redes sociais por Lula (PT), o pré-candidato líder em intenção de votos nas próximas eleições presidenciais do Brasil.

O candidato à presidência da República em 2018, Guilherme Boulos (Psol), está no Chile e esteve com Boric na manhã de hoje.

O ex-senador e atual verador de São Paulo, Eduardo Suplicy (PT), também felicitou o vencedor da eleição chilena.

Já Damares Alvez, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro, não falou abertamente sobre a eleição de Boric, mas fez um post temendo pelo "fim" da democracia.