Reconta Aí Atualiza Aí Fim do auxílio emergencial: “Perspectivas são sombrias”, avalia economista

Fim do auxílio emergencial: “Perspectivas são sombrias”, avalia economista

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A situação da economia brasileira começa 2021 em condições drásticas. Essa é a avaliação do economista Emílio Chernavsky, doutor pela Universidade de São Paulo (USP). O fim do auxílio emergencial, em sua visão, indica que as “perspectivas são muito sombrias”.

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Para Chernavsky, o Executivo não buscou uma luz no fim do túnel: “Sem a rápida implantação de um novo auxílio com dimensão próxima à do atual, as perspectivas são muito sombrias. O governo teria condições de evitar essa situação, mas até hoje não mostrou disposição. Parece que prefere que o País fique dentro do túnel”.

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Ele lembra que o auxílio – “crucial em 2020 para evitar a queda do consumo no País e inclusive para induzir o crescimento de certos setores” – que chega ao fim se junta também à “extinção do programa pelo qual o governo paga parte do salário aos trabalhadores com jornada reduzida ou contrato suspenso”.

“Sem a recuperação do investimento público, que está hoje no menor nível em décadas, e, ainda, no cenário de indefinição quanto à vacinação contra a Covid-19, a demanda interna deve ficar estagnada ou mesmo cair”, prevê.

O resultado da queda da demanda interna é um impacto no mercado de trabalho. “O empresário não investirá nem contratará trabalhadores e o mercado de trabalho deve ficar ainda mais difícil para o trabalhador, com menos ofertas de emprego e com aquelas disponíveis oferecendo salário menor”.

“Se uma política robusta de transferência de renda não for adotada e os investimentos públicos não forem retomados de forma decidida, e se a pandemia do coronavírus permanecer fora de controle, 2021 continuará com desemprego em níveis alarmantes e salários estagnados ou em queda, alimentando a crescente crise social”, diz.

Passado e futuro

Chernavsky lembra que 2020 encerrou uma década perdida do ponto de vista econômico.

“Em 2019, antes da crise, nosso PIB per capita já era 1,5% menor que no início da década em 2010. 2020 cairá em torno de 5% e os indicativos para 2021 não permitem nenhum otimismo. Isso não quer dizer, contudo, que tenhamos que entrar numa nova década perdida, que pode ser evitada se o governo adotar as políticas corretas”, defende.

Isso, entretanto, não está ocorrendo. “Não vejo o governo tomando as medidas necessárias, mas tampouco o vejo totalmente inerte. O mais provável é que, com atraso, ele acabe expandindo em alguma medida o Bolsa Família e mantenha algum nível de investimento público”.

“Embora isso seja totalmente insuficiente para iniciar qualquer recuperação da economia e para reduzir o desemprego e a penúria dos trabalhadores, talvez consiga evitar uma crise humanitária que, todavia, não está totalmente descartada”, finaliza.

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