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FGV/Ibre: Especialistas olham para o Brasil de 2022 com preocupação

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Ibre/FGV fazem projeções econômicas para 2022

Por: Solange Monteiro, editora revista Conjuntura Econômica em Instituto Brasileiro de Economia FGV/IBRE

Em 2022, a indústria continuará apresentando dificuldades, observam pesquisadores, que sofrerá com o impacto da alta de juros. Silvia Matos, junto às pesquisadoras Marina Garrido e Mayara Santiago, ilustram bem o impacto da política monetária na atividade no ano que vem ao separar as previsões para o PIB cíclico - formado pelas atividades mais sensíveis a choques e estímulos monetários, o que exclui agropecuária, indústria extrativa, atividades imobiliárias e de alugueis e a administração pública - do não cíclico, ou exógeno.

Levando em conta uma Selic de 12,25% no final de 2022, o PIB cíclico contribuirá em -0,6 ponto percentual para o PIB total, enquanto o exógeno registrará 1,3 p.p., resultando em um PIB de 0,7%, “que pouco supera o carregamento estatístico, estimado em 0,4%”, afirmam.

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A análise dos especialistas do FGV IBRE da área de Sondagens aponta que 2022 encontrará empresas e consumidores em uma postura pessimista, “tomando decisões cautelosas em relação a gastos de investimento e consumo discricionário”.

No Boletim Macro, Aloisio Campelo e Viviane Seda indicam que o declínio da confiança observado a partir de setembro tanto entre empresários quanto das famílias se acentuou nos últimos meses do ano - no caso das empresas, saindo do terreno neutro para o pessimista e, no caso dos consumidores, para a casa dos 74 pontos, bem distante no nível neutro, nos 100 pontos.

Ainda que o mercado de trabalho esteja em um movimento contínuo de recuperação, como aponta a PNAD Contínua, essa retomada tem se concentrado na criação de vagas informais. E, nos dados mensalizados, aponta a uma desaceleração, em linha com o desaquecimento da economia. 

A inflação, como indicou André Braz ao Blog da Conjuntura, deverá manter-se próxima dos dois dígitos no primeiro trimestre de 2022, convivendo com juros altos, corroendo o potencial de crescimento da atividade por ambos os lados: ao minar o poder de compra das famílias, e pressionando as condições de crédito e do mercado de trabalho.

Conforme ressalta José Júlio Senna em sua análise de política monetária, diferentemente dos bancos centrais de países desenvolvidos, o BC brasileiro não pode correr o risco de se manter atrás de curva sob risco de desancoragem das expectativas inflacionárias, o que reforça a diretriz do banco de realizar um ciclo de aperto monetário que avance “significativamente em território contracionista”, até que o processo de desinflação esteja encaminhado.

Tarefa que se torna mais desafiadora com a decisão do banco central americano (FED) de intensificar o processo de normalização, ao estimar três subidas de juros básicos em 2022, provavelmente a partir do segundo trimestre.

Setor externo:  Para 2022, as perspectivas são de que uma possível instabilidade cambial interfira negativamente nas operações de comércio exterior. A estimativa continua sendo de superávit, mas menor do que em 2021.