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Fenae afirma que novas contratações da Caixa não cobrem déficit de funcionários

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Caixa

A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) se manifestou criticamente ao anúncio da direção do banco público de que realizará uma nova leva de contratações de aprovados em concurso.

A direção do banco afirmou, na terça-feira (26), que deve contratar 500 novos empregados. Dois pontos são levantados pela Fenae: a demora e a quantidade.

Sérgio Takemoto, presidente da Federação, lembra que a autorização para novas contratações na Caixa foi dada pelo Ministério da Economia em agosto de 2021, quase um ano atrás. Além disso, a portaria autorizava que o quadro do banco passasse de 84.544 para 87.544, ou seja, 3 mil novas vagas.

“As 500 contratações prometidas são, portanto, insuficientes. Inclusive, porque empregados foram desligados por demissão, morte, aposentadoria ou desistência no estágio probatório”, afirma. “A Caixa deveria, no mínimo, completar o quadro de pessoal autorizado e repor os desligamentos ocorridos”, complementa.

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Quantidade

Takemoto destaca ainda que um levantamento interno apontou que cerca de 40% dos funcionários tem problemas de saúde relacionados ao desempenho de suas funções profissionais. “E mesmo diante dessas condições adversas, é fundamental destacar o comprometimento dos empregados com a missão social do banco”, ressalta.

Segundo um estudo do Dieese realizado em 2021, a pedido da Fenae, no período entre de 2015 e 2020, houve uma redução de 14.866 postos de trabalho na Caixa. De acordo com o levantamento - com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) - entre 2018 e o primeiro trimestre do ano passado, o número de clientes por trabalhador da Caixa Econômica Federal subiu de 1.070 para 1.775: um aumento de 65%.

Essa situação coloca a Caixa em uma posição frágil em relação à proporção entre número de funcionários por cliente ou atendimento. Quando comparados os dois bancos públicos - Caixa Econômica e Banco do Brasil -cada empregad o do primeiro atendeu em média, nos primeiros três meses de 2021, 992 clientes a mais que cada trabalhador do segundo. Quando comparados a Caixa e o Itaú, o percentual de aumento de cliente por empregado foi 6,5 vezes maior na estatal.

Cada bancário do banco estatal é atualmente responsável, em média, por 1,7 mil clientes. Pelos cálculos da Fenae, para que a sobrecarga tivesse uma diminuição considerável, ao menos 20 mil novos funcionários deveriam ser contratados.

“Nos últimos anos, a Caixa vem reduzindo drasticamente o número de trabalhadores. Na contramão, houve um grande aumento da quantidade de clientes e de contas. Isso causa superlotação em agências, sobrecarga de trabalho e adoecimento de empregados, prejudicando, inclusive, o atendimento à população”, defende o coordenador da Comissão Executiva de Empregados e diretor de Administração e Finanças da Fenae, Clotário Cardoso.

Para que a situação ficasse realmente confortável, “seria preciso contratar aproximadamente 30 mil empregados”, sustenta ele.