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FAO: Fome cresce em ritmo superior ao da população do mundo

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811 milhões passam fome no mundo hoje

Em artigo originalmente publicado no  Corriere della Sera e traduzido por Luisa Rabolini, o vice-diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Maurizio Martina alerta para a aceleração da fome no mundo.

De acordo com o vice-diretor da FAO, após a pandemia a questão da fome piorou muito no mundo, além de crescer em ritmo superior à população do planeta. Os dados foram retirados do Relatório 2021 sobre o "Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo".

A fome cresce em diversos continentes

O relatório aponta que até 811 milhões de pessoas estão em situação de desnutrição ao redor do mundo. O dado apresentado em 2021 supera em 118 milhões de pessoas o relatório anterior. Nesse sentido, o documento alerta que a tragédia se espalha principalmente pela Ásia, com 400 milhões de pessoas em situação de fome; na África, com 351 milhões na mesma condição; e na América Latina, com 60 milhões. A maior piora do cenário deu-se no continente africano, com 21% da população subnutrida.

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A fome cresce no mundo

Segundo Martina, aproximadamente 30% da população mundial não têm acesso a alimentos ao longo de todo o ano. Essa estatística representa 2,37 bilhões de pessoas do planeta. Tal situação coloca em risco o futuro da humanidade, já que a parcela mais penalizada da população é compota por crianças: "149 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem de raquitismo, mais de 45 milhões de crianças estão debilitadas e quase 39 milhões com sobrepeso", descreve o vice-presidente da FAO em seu artigo.

Além das crianças, a falta de alimentos afeta de maneira diferente os gêneros. De acordo com a pesquisa, cerca de um terço das mulheres em idade reprodutiva no mundo todo sofrem de anemia.

Antes da pandemia, as mudanças climáticas já agravavam a situação

A tendência apontada pelo relatório não é interruptiva. Em outras palavras, o aumento da fome em nível mundial não foi um choque, já que as mudanças climáticas vinham piorando o cenário. Porém, "acelerou radicalmente as tendências negativas já em curso". Ainda concorrem para o crescimento da fome os conflitos armados e as guerras. Como consequência, Martina cita que países com conflitos como Haiti, Iêmen e Sudão do Sul têm populações com enormes dificuldades em ter acesso à comida.

Ações presentes podem mudar o futuro

De acordo com o artigo, o vice-presidente da FAO pretende larçar um alerta ao mundo. Segundo ele, "se o curso não for revertido imediatamente, a meta Fome Zero até 2030 será perdida para mais de 660 milhões de pessoas". A Agenda 2030, criada pela ONU e ratificada por grande parte dos países, tem como meta a erradicação da fome.

Martina reitera que há pouco tempo para atingir a meta de erradicação da fome, apenas nove anos para 2030. Em síntese, o especialista conclui chamando todos para a ação: "São um instante para os tempos das mudanças globais. Não podemos desperdiçá-los ficando parados apenas olhando".