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Falta de infraestrutura e orçamento apertado fazem diminuir consumo de frutas e hortaliças

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Alimentos - MST

Foto: MST

Se não fosse o aumento da fome no País, o Brasil poderia adentrar 2021 integrando a discussão levantada pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) que instituiu esse ano como o “Ano Internacional das Frutas e Hortaliças”. 

Conforme recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde), o consumo de futas e hortaliças deve ser de pelo menos 400g por dia para cada pessoa. Contudo, no Brasil houve ligeira redução da ingestão desses alimentos por brasileiros entre as Pesquisas de Orçamento Familiar (POF) entre 2008 e 2017. Esses dados foram relatados pela professora da Esalq/USP e pesquisadora do Cepea, Margarete Boteon, no artigo "Por que não consumimos mais frutas e hortaliças?" publicado pelo Cepea.

O poder de compra dos brasileiros diminuiu

Com uma inflação de 8,99% os útimos 12 meses, o preço de todos os tipos de alimentos aumentou. E o aumento ocorreu no mesmo período em que o número de desempregados, desalentados e subocupados explodiu. Atualmente, o IBGE informa que 14,7% da população em idade para trabalhar procura emprego, o que equivale a 14,8 milhões de pessoas. No mesmo sentido, o número de desalentados, pessoas que já desistiram de achar empregos, é de 6 milhões de pessoas. Fora isso, o índice de subocupação, pessoas que gostariam de trabalhar mais horas e receber mais, é de 29,7%.

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Falta de infraestrutura na cadeia de comercialização

A pesquisadora aponta que além de serem muito perecíveis, a falta de infraestrutura na cadeia de comercialização de frutas e hortaliças traz prejuízos. Com isso, há perdas de alimentos em diferentes estapas que vão desde a colheita até à casa dos consumidores, encarecendo seu preço final.

As centrais de abastecimento, afirma a pesquisadora, são desorganizadas e a informalidade do trabalho em toda a cadeia não contribui para isso, ao contrário. Baeton relata que a relação entre grandes produtores e grandes vendedores tem avançado, mas que o desafio é garantir eficiência para pequenos e médios produtores, os pequenos e médios postos de venda e os consumidores. A especialista completa afirmando que apenas 20% do volume de hortaliças e frutas "passam por um canal mais formal/organizado de acordo com as normas de rastreabilidade e padronização".

Entretanto, nem todas as notícias nesse setor são ruins. O avanço da tecnologia permitiu que novos vegetais chegassem à mesa de mais brasileiros. São eles a "batata-doce, manga, melão e limão", afirma Boteon.

O papel das frutas e hortaliças na saúde

O consumo de frutas e hortaliças é fundamental em uma dieta balanceada, que garanta saúde à população. Doenças como diabetes, obesidade, entre outras têm relação com o consumo de produtos ultraprocessados em oposição a alimentos naturais.

Além disso, Boteon afirma que o o setor tem grande relevância no desenvolvimentos socioeconômico e no desenvolvimento ambiental. Duas questões urgentes nesse período em que vivemos.