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Fala Aí, Bancário – Pedrinho, a valente liderança pelo exemplo

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Imagem do site Recontaai.com.br

Neste artigo recheado de ironia, Beto Nascimento coloca em xeque quem é o presidente da Caixa. Como pano de fundo, a “fatídica” reunião ministerial, cujo vídeo foi divulgado no dia 22 de maio. Aprecie!

Causou-me profundo contentamento o excepcional desempenho do presidente da Caixa e seus pares na fatídica reunião ministerial, cujo vídeo foi divulgado no dia 22/05. Que exemplo de postura, de elegância e de espírito público ao se posicionar! Como é emocionante ouvir, pela enésima vez, o seu discurso autêntico e como ele consegue entrelaçar, com exímia mestria, seus dramas pessoais com assuntos públicos. Tem tudo a ver, não consigo parar de chorar…

Recomposto depois de alguns minutos, emocionado, sigo o texto. Afinal, é muito relevante para nós empregados nos espelharmos nessa verdadeira Jornada do Herói, vivida por esse Deus do Olimpo, da Odisseia de Homero, que por humildade dá o ar de sua graça, ao permitir a convivência conosco, mortais. Esses seres incautos que usam Vale Refeição da Alelo e consomem a marmita vendida na porta dos prédios e das agências do banco, o terceiro estado tupiniquim que nasceu para trabalhar das 6 às 22 horas e finais de semana.

A forma como ele e seus pares encadeiam seus argumentos e discutem temas relevantíssimos para a Nação, como a Hemorroida, a prisão de inimigos e as palavras emitidas contra eles, de tão raras no dicionário da Língua Portuguesa, devem ter causado excelente impressão nas nações do mundo e feito os comunistas Camões, Saramago e Machado de Assis sentirem vergonha de terem escrito aquelas obras chinfrins. Weintraub que o diga!

E o que dizer do encadeamento dos assuntos da reunião? A extrema inteligência de toda a equipe ministerial e essa nova modalidade de uso da linguagem, em que os assuntos se alternam sem um raciocínio completo, devem ser uma forma poética e de elevado rigor estético, que nós, os boçais, talvez ainda não tenhamos preparo intelectual para entender. 

Pedrinho, com sua bravura e voz doce como um cancioneiro da liberdade, consegue expressar com apurada correção, argumentos lógicos e autocrítica inenarrável o sofrimento que é ser presidente da Caixa, frente a esses mentecaptos empregados do home office e esses ignóbeis, que reclamam, sem razão, do saque de seiscentos reais. 

Tutankamon da economia

“Finalizo esse texto isento com a extrema sapiência desse Deus soberano, esse Tutankamon da economia, ao dizer que afastou mais de cem pessoas quando chegou na empresa”

E que exemplo de espírito público e empatia a narração do episódio envolvendo a filha do deputado, que por ter o DNA de um parlamentar do PSL nas veias, de fato não pode ser obrigada a seguir a Lei. Que falta de cabimento! Onde já se viu? Estão dizendo que dias depois ela apareceu com o Covid-19. Ou é fake news ou então foi passado pelo contato com esses policiais desumanos. Por isso, me causou uma síncope a sua narrativa de bravura ao dizer que tem quinze armas em casa (suponho que devem ser todas regularizadas) e seu desejo nacionalista épico de matar ou morrer em nome da pátria (ops, da filha).

O que dizer da sua relação com a mídia? Que exemplo de homem multitarefa, que além de presidente atua como analista de marketing, recebendo ele mesmo os veículos de comunicação e discutindo as verbas. Nada anormal, afinal os cargos de presidente da República e da Caixa os tornam ungidos pelo Santo Graal, pela Red Phil da sabedoria e tudo sabem. Nem é necessário esclarecer os fatos: basta uma nota emocionada e com alguns deslizes na gramática (faz parte, foi para aproximar do interlocutor).

Por fim, finalizo esse texto isento com a extrema sapiência desse Deus soberano, esse Tutankamon da economia, ao dizer que afastou mais de cem pessoas quando chegou na empresa. Ele, um homem vindo de fora, de fato traz consigo todos os requisitos de gestão de pessoas, avaliação de desempenho e uma aura iluminada para afastar, sem motivo, qualquer empregado. Onipotente, onipresente, onisciente, tudo sabe, tudo vê. 

A prova disso foi o seu humor altivo, soberano e de liderança que não altera o emocional facilmente, em uma live do auxílio emergencial na semana passada. Um gravíssimo problema no power point, intolerável e fundamental para a compreensão das pessoas, o fez alterar como um “Às” todo o protocolo do momento, regendo seus vice-presidentes e funcionários como um maestro, um verdadeiro Zubin Metha.

Na história de 160 anos da empresa, nos sentimos lisonjeados de receber esse grande presente: sermos dirigidos por essa gestão magnífica, repleta de tantas qualidades, inclusive com vasto conhecimento em medicina ao defender a tomada de um litro de cloroquina. Nem Sócrates, que tomou cicuta para defender seus princípios teria tamanha coragem.

Beto Nascimento é o pseudônimo de um bancário que não pode se identificar por receio de retaliações.