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Fala Aí, Bancário: O ano em que o Apocalipse chegou

Por Beto Nascimento

Estamos chegando ao final de 2020 e decidi fazer uma avaliação deste ano quase apocalíptico pelo qual passamos e do qual todos, de certa forma, saímos com cicatrizes e aprendizados. Afinal, muitos perderam parentes, entes queridos e colegas de trabalho por conta da Covid-19, acentuada aqui no Brasil pela irresponsabilidade do desgoverno federal, em todos os níveis. No caso específico dos bancários da Caixa esta realidade foi ainda mais dramática, sendo forçados (na maioria das vezes sem motivos) a trabalhar num atendimento suicida, em virtude do pagamento do auxílio emergencial da população por falta de planejamento e capacidade da governança da empresa.

Adicione a isso a primeira reestruturação do ano, em março, um dia após o pagamento da PLR e que tumultuou a vida de tantos funcionários do banco. Acrescente a posição dúbia e de blefe da gestão da Caixa, de que o Banco é de “todos os brasileiros” enquanto não faltaram esforços políticos (como as MPs que caducaram no Congresso) e administrativos (retirada de funções arbitrárias, IPOs e mudanças organizacionais abruptas, por exemplo) para enfraquecer a instituição, realizando um processo de privatização camuflada e temerária e do qual a criação do banco digital é a mais recente e nefasta tentativa.

Relembre outros artigos de Beto Nascimento:
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E o ano foi passando, com o sentimento entre alguns bancários de que a coisa já tinha chegado ao seu limite e de que se poderia ter um pouco mais de paz, que seria merecida frente ao grande esforço e exemplo que os trabalhadores deram no enfrentamento dessa pandemia. Mas estamos diante de uma aberração que não escolhe a ocasião para seus ataques aos direitos das pessoas, ao bom senso, aos valores humanos e ao respeito. 

Foi no mínimo bizarra e desumana a forma como os empregados foram e estão sendo desalojados e transferidos compulsoriamente para as agências. Sem justificativa plausível, aviso e tempo hábil, muitos deram com a porta na cara ao se dirigirem ao trabalho, em um dia comum, e ficaram sabendo naquele momento que sua unidade não existia mais. Já passou da hora das entidades sindicais subirem o tom e o Ministério Público do Trabalho e órgãos afins fiscalizarem de perto tudo que se passa, pois não sabemos quais condições e garantias mínimas de trabalho teremos em 2021, inclusive para aqueles que estão trabalhando (muitos quase 24 horas) no tal home office.

Quanto a nós, trabalhadores, nos resta reforçar nossos laços de solidariedade, união, cobrança e apoio às entidades representativas e auxílio aos nossos colegas. É um erro tapar os olhos, normalizar tudo o que vem acontecendo e achar que estamos imunes a esse assédio e desrespeito, pois esse governo e gestão não tem apego nem compromisso com ninguém. 

Ele já mostrou que descarta, inclusive, os colaboradores voluntários de plantão, os “sonderkommandos” do mundo corporativo. Esse capacho carreirista que, infelizmente, tem se proliferado na empresa e que não pensa duas vezes antes de detonar a carreira do colega ou se render aos desígnios e desejos variados dos comandantes do Zeppelin, em troca de rápida, questionável e frágil ascensão.

Um dos poucos pontos positivos a se comemorar, neste ano, é que já passamos metade desse tempo de Apocalipse em que nos metemos e que, se tivermos juízo, poderemos por fim logo adiante. Afinal, 2022 nem parece mais tão longínquo assim. 

Um 2021 de luta e de olhos abertos a todos!

*Beto Nascimento é o pseudônimo de um bancário. Ele assina com esse nome, pois é a única forma de garantir que não sofra perseguição.

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