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Explosões na Arábia Saudita reafirmam a necessidade da Petrobras

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Imagem do site Recontaai.com.br

Em meio à crise internacional deflagrada por ataques de drones às maiores refinarias da Arábia Saudita, o petróleo sofre valorização e mostra a importância do papel público da Petrobras.

A Petrobras pode fazer o Brasil se beneficiar da crise internacional do petróleo.

Em entrevista recente ao Reconta aí, o especialista e diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), Willian Nozaki, já havia alertado sobre a importância do papel geopolítico do petróleo.

Na época – final do último mês de agosto – as atenções mundiais estavam se voltando para o Atlântico. Os focos eram os locais onde descobertas recentes mostravam o potencial de exploração do petróleo nas Américas. Porém, a possível guerra entre Arábia Saudita e Iêmen, com reflexos nas relações entre EUA e Irã, podem mudar o jogo internacional.

Consultado mais uma vez pelo Reconta aí, Willian ponderou o caso. “O ocorrido deve impactar por diversas maneiras a economia internacional e a brasileira”, afirmou.

Ele ainda complementou falando sobre o caráter econômico da crise: “Trata-se do maior “choque de oferta” de todos os tempos, com redução imediata de 5% da produção mundial e com efeitos já sentidos nas bolsas de valores, que iniciam a semana em queda generalizada.”, analisou o especialista.

Neste contexto, a Petrobras prometeu manter os preços da gasolina e óleo diesel no Brasil. O chamado “hedge“, um resguardo contra a variação dos preços, deve proteger no curto prazo os consumidores brasileiros da variação internacional da commodity.

A crise que a Petrobras enfrentará no Brasil

Willian afirma que mesmo protegendo seus consumidores, a Petrobras não evitará um conflito que não vem de hoje. “No Brasil, apesar da alta das ações da Petrobras, o episódio também derrubou a bolsa e, nas próximas semanas, deverá pressionar o preço dos combustíveis, acirrando o conflito entre governo e caminhoneiros”.

A estatal, cujas áreas estratégicas estão indo a leilão em grande velocidade, mesmo debilitada tem amortecido o impacto da crise e as tensões com a categoria dos caminhoneiros. O controle de preços, política contestada pelos liberais, vêm sendo uma ferramenta para a Petrobras administrar a insatisfação dos caminhoneiros, mas não se realiza como política para o desenvolvimento do Brasil.

Willian Nozaki mostra que a crise está longe do seu fim: “Em um primeiro momento, o barril de petróleo subiu cerca de 10%, cotado a US$ 66 nesta segunda-feira.” Porém, o futuro não está dado.

A instabilidade do mercado internacional e a necessidade do abastecimento interno da Petrobras podem ser a chance que faltava para que a sociedade se dê conta da importância da estatal.