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Estudo constata lucro da Caixa por duas décadas

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Imagem do site Recontaai.com.br

A pedido de bancários da Caixa Econômica Federal, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realizou um levantamento que mostra que o Banco Público teve lucro nos últimos 18 anos.

Segundo o Departamento, portanto, a instituição é lucrativa desde 2003.

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Decompondo o lucro por mandatário, o Dieese aponta que, em valores atualizados, a empresa contabilizou um lucro líquido acumulado de R$ 39,7 bilhões durante o governo Lula (2003 a 2010), de R$ 51 bilhões no governo Dilma (2011 a 2016) e de R$ 25,4 bilhões no governo Temer (2017 e 2018).

Em 2019 e 2020, o lucro acumulado foi de R$ 35,1 bilhões. Este montante, contudo, inclui valores decorrentes da venda de ativos da estatal.

“O resultado de 2019, por exemplo, foi fortemente influenciado pela venda de Notas do Tesouro Nacional (NTN-B) e de ações da Petrobras”, explica Sergio Lisboa, economista do Dieese. “Do lucro de R$ 22 bilhões (em 2019), aproximadamente R$ 15 bi são referentes à venda de ativos que a Caixa tinha, a exemplo de ações da Petrobras, do IRB [Instituto de Resseguros do Brasil] e do Banco Pan, entre outras”, acrescenta.

De acordo com o economista, dos R$ 13,1 bilhões de lucro líquido registrados pelo banco ano passado, R$ 5,9 bilhões foram resultado de recursos oriundos da Caixa Seguridade. “Em razão de acordos operacionais que ocasionaram a renovação e formalização de novos contratos”, detalha.

O diretor de Formação da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Jair Ferreira, emenda e sintetiza: “Não foi a atividade bancária que gerou os resultados em 2019 e 2020”.

Na última semana, Bolsonaro disse, em agenda pública e acompanhado pelo presidente do banco, Pedro Guimarães, que "a Caixa, com o ladrão de nove dedos, dava prejuízo. Agora, em nosso governo, traz mais do que lucros, traz benefícios ao povo brasileiro". O estudo, assim, desmonta a fala de Bolsonaro com dados.

Conforme observa Ferreira, o lucro contabilizado pela estatal nos dois primeiros anos do atual governo é resultado não só da venda de ativos como também da redução do papel social da Caixa. “Não mostra que a empresa está se expandindo e gerando empregos; mas, sim, que está se desfazendo de ativos fundamentais”, ressalta.

Ferreira pontua que, a exemplo do que ocorreu com o BB Seguridade [braço de seguros do Banco do Brasil], em um primeiro momento o lucro é inflado pela venda dos ativos. “Mas, nos anos seguintes, o resultado cai substancialmente por conta da ausência dos resultados produzidos por tais ativos”, explica.

O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, destaca que a Caixa vem sendo claramente enfraquecida na gestão Bolsonaro, ao contrário do que afirma o Planalto.

Além da venda de ações da Caixa Seguridade no final do último mês de abril, o governo prevê a privatização de outros braços estratégicas e rentáveis da estatal. Além da Seguridade e do futuro Banco Digital, a direção da Caixa Econômica atua para a venda de outros segmentos estratégicos e rentáveis do banco, como as áreas de Cartões, Gestão de Recursos e até as Loterias Federais.

“Estão entregando para o mercado um patrimônio que deveria ser mantido nas mãos do País, dos brasileiros, em benefício principalmente à população mais carente, que sempre teve a Caixa como o banco da habitação, da infraestrutura, da saúde, do crédito popular e do financiamento estudantil”, acrescenta Takemoto.