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Estudo compara políticas públicas contra Covid-19 adotadas em diferentes países

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Estudo mostra quais foram as políticas contra a Covid-19 mais eficientes ao redor do globo e responde dúvidas sobre a tragédia no Brasil.

As respostas à pandemia de Covid-19 no mundo foram quase tão diversas quanto o número de países. Talvez até mais, considerando que no Brasil, cada estado adotou uma forma diferente de mitigar os efeitos do vírus sobre a sua população.

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De acordo com o estudo Coronavirus Politics (“Políticas do Coronavírus”, em tradução livre), que analisa as decisões políticas de países dos cinco continentes, aponta que no Brasil, o controle da pandemia poderia ter sido muito melhor por causa do Sistema Único de Saúde – SUS. Porém, a falta de coordenação entre os poderes federais, estaduais e municipais “falhou em responder e conter a pandemia”, condenando o País à tragédia.

Além disso, foi observada uma tentativa de transferir a culpa da pandemia e de seu descontrole para outros agentes – como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a China e governos subnacionais (como estados e municípios).

Porém, as medidas mais populares adotadas no período – com destaque para o auxílio emergencial – foram mostradas à população como ação exclusiva do Executivo Federal, ainda que a pressão tenha vindo do poder Legislativo – Câmara dos Deputados e Senado Federal – e da pressão popular.

“Essa estratégia prejudica a coordenação de políticas públicas, que são essenciais na resposta a epidemias de doenças infectocontagiosas”, observa uma das organizadoras do estudo, a professora Elize Massard da Fonseca, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP).

Populismo

No mesmo sentido, a pesquisa aponta o presidente Jair Bolsonaro como um líder controverso. Segundo os pesquisadores, o presidente do Brasil agiu de forma autoritária (e até excêntrica) na resposta ao coronavírus, assim como outros líderes negacionistas, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

“O presidencialismo e os governos autoritários, em geral, garantem a esses líderes instrumentos poderosos, o que nas mãos de um negacionista-populista pode ter efeitos devastadores para a resposta à Covid-19”, avalia a professora Elize Massard da Fonseca.

Em contrapartida, Fonseca aponta que o modelo político do Brasil permitiu que os governadores atuassem no sentido oposto às políticas contra Covid-19 do Governo Federal. “A situação só não foi pior porque os governadores agiram, ainda que de forma descoordenada”, ressalta.

Êxitos e fracassos nas políticas contra Covid-19

A pandemia já é vista como a pior crise global do século XXI. A análise feita por Elize Massard da Fonseca, em conjunto com dois professores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, Scott Greer e Elizabeth King, busca explicar como diferentes políticas públicas impactaram seus efeitos em cada país.

Para tanto, mais de 60 pesquisadores realizaram um estudo comparativo entre as políticas contra Covid-19 em países dos cinco continentes. Na lista, além do Brasil, estão EUA, Reino Unido, África do Sul, Espanha, Vietnã, Coreia do Sul, China, entre outros.

O esforço comparado realizado pelos pesquisadores permitiu observar e compreender quais foram as políticas públicas que garantiram êxito na resposta à pandemia. Entre as principais variáveis, destacaram-se a capacidade do sistema de saúde, os regimes de governo e as políticas de auxílio.

O resultado da pesquisa ressaltou a necessidade de ações estatais para uma boa resposta à crise sanitária. O estudo foi divulgado pela Agência Bori.

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