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Está Cada Vez Mais Perto – sobre pesquisas e esperanças

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mauricio falavigna
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"Eu disse que nós voltaríamos, que isso não ficaria assim. E digo mais: nós voltamos!"

(Dilma Roussef)

Esta é a primeira pesquisa realizada após maior tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão, após a inauguração de comitês de luta e do lançamento da pré-candidatura da chapa Lula-Alckmin. Apesar da censura imposta pela mídia, que só cita seu nome em contextos negativos, foi impossível a população não se inteirar da candidatura petista. E os resultados mostram crescimento da preferência por Lula em todos os segmentos. Mais do que isso, mostram a vitória do candidato em quase todos esses segmentos.

Por regiões, a vantagem significativa no Sudeste (42 a 29%) e massacrante no Nordeste (63 a 17%) mostram que a candidatura avançou nos principais colégios eleitorais. Lula ultrapassou com folga o atual presidente inclusive na região Sul (47 a 30%), reduto de férias regadas a jet ski, discursos da “guerra cultural” e farras com cartão corporativo.

Lula ainda ganha entre homens, mulheres, pardos, brancos, pretos, em todas as faixas etárias, entre pessoas de todas as escolaridades, católicos, espíritas, moradores de regiões metropolitanas e do interior, entre os desempregados e os que recebem Auxílio BR.

O atual presidente ainda ganha em seus bolsões de riqueza e privilégio, como o Centro-Oeste do agronegócio (empate técnico), as pessoas de maior renda, com mais de dez salários mínimos e empresários. Ou seja, podemos dizer que a chamada elite do atraso se mantém firme no propósito de preservar seus privilégios.

A subida da preferência por Lula entre os evangélicos chegou a um empate técnico. Neste grupo, que certamente reúne o maior contingente de excluídos e pobres entre o eleitorado do atual presidente, sua vantagem caiu para 36 a 33%.

Terceiras vias, renascimentos lavajatistas, panegíricos do novo mundo criado pela desregulamentação e pelo “empreendedorismo”, naturalização da pequenez do Estado, crítica às urnas eletrônicas, ameaças de golpe militar, fábrica de fake news, violência policial e condenações morais… Todos os recursos da mídia corporativa não funcionaram até aqui. A rejeição de Lula mantém-se em um terço do eleitorado, enquanto a de Bolsonaro (54%) e a insignificância de outros nomes mostram a tendência de uma vitória avassaladora.

De um lado, o da campanha pela mudança (ou pelo retorno), os números parecem mostrar um caminho certo e, talvez, uma margem temporal para se dedicar às eleições nos Legislativos. Do outro lado, o que resta?

Os números incentivam o oportunismo político. Largar o barco das campanhas fracassadas deverá se tornar um gesto cada vez mais frequente. O atual presidente tende a se isolar ainda mais e as tentativas de uma terceira via já nascem em meio ao desalento.

Resta o inconformismo. A derrocada da política econômica está gerando uma sanha de rapina e acúmulo rápido de capital. Vender todo o patrimônio e fazer caixa parece ser a ordem do dia. E a rejeição política, cuja frustração alcança forças auxiliares de segurança e a livre iniciativa de milicianos e de gente de bem, todos armados, ainda fará estragos. Operações policiais que garantam a expansão da fonte de renda desses criminosos, chacinas que demonstrem a força das polícias, atos de intimidações públicas e privadas irão se suceder. Estertores de um banditismo que assumiu o governo, desmantelou o aparato estatal e destruiu um país. A tentativa de tornar o Brasil imagem e semelhança dos ideais dos mais fortes parece naufragada.

Se a grande maioria da sociedade deseja voltar a ter voz, terá de enfrentar esses últimos arroubos. Ocupar os espaços em que já atuaram e construir o mundo que deseja. Lembrar que há séculos nos habituamos às injustiças e violências, aos corpos esfacelados e mortos à nossa volta. Sem medo da barbárie que ainda estará na esquina. Sem medo de uma civilização que ainda está distante. Sem medo da felicidade de um período de exceção em nossa história, que teremos de retomar e remodelar em meio às ruínas.

Teremos mais cinco meses de resistência e luta pela frente.