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"Esperamos que Bolsonaro seja denunciado e preso", diz presidente de associação de vítimas da covid-19

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Imagem do site Recontaai.com.br

Gustavo Bernardes, presidente da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico) , entrou na Justiça contra Bolsonaro.

Após sobreviver à Covid-19, o advogado Gustavo Bernardes, 46 anos, resolveu se mover.

No ano passado, ao ser infectado pelo coronavírus, Bernardes foi à emergência de um hospital e recebeu como tratamento uma receita de Azitromicina. Voltou ao hospital três dias depois e teve que ser intubado.

"Graças à equipe médica séria que me atendeu, consegui me recuperar", contou Bernardes ao Reconta Aí.

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Passado o período da doença, Bernardes então se juntou a outras vítimas da Covid-19 e familiares que perderam entes e fundou, em abril deste ano, a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico).

Por meio da Associação, o advogado denunciou à Procuradoria Geral da República (PGR) o governo Bolsonaro pela condução da crise sanitária no País.

Confira a entrevista com Gustavo Bernardes sobre a representação da Avico contra Bolsonaro

Reconta Aí: De onde surgiu a ideia de processar Bolsonaro pelo seu contágio por covid-19 e subsequente agravamento da doença?

Gustavo Bernardes: O comportamento negligente, omisso e criminoso do presidente da República é notório. Está todo dia na mídia. A própria negativa do presidente, em firmar um contrato com a Pfizer lá em agosto de 2020, já demonstra o descaso para com a maior tragédia já vivida pelo Brasil.

Quem em meio a uma pandemia se negaria a assinar um contrato de vacinas, senão um ser abjeto e criminoso? Foi por isso que a AVICO foi criada: começamos a ser procurados por familiares e sobreviventes da covid-19 pedindo que algo fosse feito.

Nossos advogados voluntários estudaram o caso e consideraram pertinente que representássemos criminalmente contra o presidente da República, pois temos elementos de prova suficientes.

Reconta Aí: O processo se refere apenas ao seu caso?

Gustavo Bernardes: Trata-se de uma representação criminal. Não falamos de indenização ou de algo cometido contra alguém individualmente. Estamos levando ao conhecimento da PGR o que entendemos serem crimes praticados pelo presidente Bolsonaro e que afetaram toda uma coletividade.

Reconta Aí: Qual foi a base legal utilizada para o processo?

Gustavo Bernardes: A Avico requer que a PGR ofereça denúncia contra o presidente Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal pelos crimes previstos nos Artigos 132 (“Perigo para a vida ou saúde de outrem”), 257 (“Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento”), 268 (“Infração de medida sanitária preventiva”), 315 (“Emprego irregular de verbas ou rendas públicas”) e 319 (“Prevaricação”), todos do Código Penal. 

Reconta Aí: Você espera que mais pessoas ou associações também processem o presidente pelo mesmo motivo?

Gustavo Bernardes: Nós temos nos oferecido para ajudar que outras pessoas criem associações semelhantes em outros estados e em outros municípios. Porém, as pessoas têm preferido ficar e se articular dentro da Avico. Então, criamos um comitê nacional que se reúne mensalmente e onde discutimos ações nacionais.

Reconta Aí: Que tipo de compensação ou punição a sua ação propõe que o presidente sofra?

Gustavo Bernardes: Nós esperamos que o presidente seja denunciado e preso. O que podemos esperar de uma pessoa que foi negligente e que, com a sua negligência, já causou mais de 500 mil mortos? As famílias e os sobreviventes desejam uma punição exemplar.

Leia mais sobre a pandemia no Reconta Aí.