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Especialistas repercutem discurso de Bolsonaro na Cúpula do Clima

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Observatório do Clima e WWF-Brasil afirmam que discurso de Bolsonaro está longe da realidade e que “exigência de pagamentos” é descabida.

O presidente Jair Bolsonaro participou nesta quinta-feira (22) da Cúpula do Clima. O evento virtual começou hoje e vai até amanhã, organizado pelo presidente dos Estados dos Unidos, Joe Biden.

Para Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima não surpreendeu. “De forma geral, o presidente da República fez o que se esperava dele: mentiu e fez promessas vazias”, afirmou.

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Para o representante do Observatório do Clima – organização nacional mais respeitada na área – o presidente do Brasil chegou a contradizer os compromissos que havia firmado com a Organização das Nações Unidas (ONU) em dezembro do ano passado.

“Ele [o acordo firmado em dezembro passado] falava em desmatamento ilegal. Mas esse compromisso existia desde 2015 e o governo Bolsonaro retirou das promessas da ONU. Agora fala algo sobre 2050, mas do jeito que o governo Bolsonaro vai, nós sequer teremos a Amazônia em 2050”, ressaltou o especialista.

O diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, também se manifestou sobre a fala do presidente: “Desde a posse do Bolsonaro, o Brasil sofre um processo contínuo de desmantelamento de políticas públicas direcionadas à preservação do meio ambiente. A equipe do governo Bolsonaro parece agir em direção contrária aos interesses nacionais e de conservação do Meio Ambiente”, explicou Voivodic.

Ricardo Salles, o antiministro do Meio Ambiente

Existe no Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra Salles por crimes de advocacia administrativa, organização criminosa e o crime de “obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do Poder Público no trato de questões ambientais”.

A atuação de Ricardo Salles também mereceu comentários. Para Voivodic, Salles trabalha de maneira clara na diminuição de fiscalização e desarticulação dos órgãos ambientais que atuam no combate às ilegalidades.

A mesma opinião é compartilhada por Astrini: “O governo está quebrando a fiscalização, impedindo fiscais de ir a campo, dificultando multas ambientais”.

Nilto Tatto (PT/SP), deputado federal, complementa: “Como cumprir com as metas de emissão de gases de efeito estufa prometidas se o governo acabou com os órgãos de política climática, destruiu as estruturas de fiscalização ambiental, criminaliza servidores e proíbe a aplicação de multas a quem comete crimes ambientais”?

O apelo por mais dinheiro no discurso de Bolsonaro

“O presidente passou metade do tempo dele pedindo dinheiro por conquistas do passsado. Conquistas que ele tenta destruir hoje”, explicou Márcio Astrini, do Observatório do Clima.

“Inclusive esse pedido de dinheiro não faz o menor sentido, já que temos quase três bilhões parados no fundo amazônia desde 2019”, afirmou.

“É neste contexto de descompromisso ambiental que o governo Bolsonaro tem transformado a Amazônia em refém, exigindo pagamento dos líderes globais para sua preservação”, ressaltou Voivodic.

Um balanço do discurso

Astrini retoma um importante fato sobre o discurso de Bolsonaro: ele foi um dos últimos da Cúpula do Clima, o que mostra a falta de apreço pelas palavras do presidente do Brasil sobre o tema. “Os irrelevantes ficam por último”, afimou Astrini, ressaltando que durante a fala de Bolsonaro, Biden não estava mais na sala.

“Não vai ser um vídeo de cinco minutos que vai conseguir reverter o que Bolsonaro fez nos últimos vinte e oito meses de mandato, que foi destruir o Meio Ambiente no Brasil”, disse o ambientalista.