Pular para o conteúdo principal

Escândalo na Caixa: um País sob Assédio

Imagem
Arquivo de Imagem
opina ai

De ontem para hoje: o TJ de São Paulo emitiu uma sentença dizendo que não é minimamente aceitável um Presidente da República ofender uma jornalista com insinuações sexuais, e o presidente da Caixa Econômica deve ser exonerado para não prejudicar a campanha, devido a um escândalo de assédio sexual.

Nem o mais misógino dos golpistas imaginava que essa gente que ascendeu ao poder era tão baixa e despreparada. Que pensem como eles, vá lá, mas que saibam lidar com a liturgia dos cargos. No entanto, o ambiente administrativo de todo o aparato estatal recebeu a dádiva da liberdade individual. Aquela dos mais fortes, mais ricos e mais bem nascidos. Um propriedade privada ao alcance de poucos.

Pedro Guimarães, habituê das laives presidenciais, onde chora e se emociona com facilidade, tem PhD nos istaites e veio com largo currículo de trabalho de excelência nos maiores bancos privados e em fundos de investimento. Um homem com tarimba no mais sacrossanto dos ambientes, o mercado financeiro, ao gosto do superministro, aquele que é parabenizado nos supermercados e diz que só há fome porque deixamos restos de comida no prato. Pedro é mais um estrela do mundo financeiro, privado e trouxe consigo aquela visão de mundo eficiente, que iria moralizar o governo. Afinal, todos sabem que esse é o caminho, todos os analistas midiáticos nos garantiram: a sociedade necessitava de um Estado mínimo, sem o anacronismo de carreiras públicas e com a visão do setor privado e financeiro, que tanto progresso já trouxe e traz ao nosso País.

Leia também:
- Caixa: Pedro Guimarães cancela imprensa e leva esposa para apresentação do Plano Safra 2022/23

Agora, além de sabermos de sua capacidade de luta – vem desmantelando e sucateando o maior banco nacional desde o início da gestão, declarando guerra aos funcionários e tentando vendê-lo aos pedaços para os comparsas eficientes do setor privado, anulando a função da Caixa de vetor do desenvolvimento nacional e do amparo social, tornando-a moderna e sem “paternalismos”, sabemos também que criou um sistema peculiar de meritocracia, favorecendo mulheres de seu interesse à força, assediando aqueles objetos que lhe prestavam serviço. Afinal, ele era o chefe. O resto é o resto, ainda mais sendo mulheres.

Não se pode negar que Pedro é um representante típico da corja que transformou o governo e as estatais em um balcão de negócios. Negou qualquer função social e serviu apenas ao Mercado, os amigos privilegiados, aqueles que têm a iniciativa de acumular, fazer render, invadir, desprezar leis com espírito indômito e dar orgulho ao restante da população, a imensa maioria com dramas de emprego, renda, moradia, alimentação e outros problemas mundanos. Agiu como todos os outros ministros e presidentes de instituições públicas, como se a Caixa fosse uma prebenda, um espaço dele e dos seus. Ex-dirigentes agora contam que o caso de assédio era conhecido, muitas vezes abafado com promoções – outro aspecto enviesado da meritocracia vigente.

Leia também:
- Assédio: "São estarrecedores os relatos de funcionárias da Caixa", lamenta a deputada Erika Kokay

Os relatos das funcionárias, até onde vimos, é asqueroso e torturante. Pedro foi a fiel imagem de seu líder, que exalta Ustra e disse que não estupraria uma deputada “porque era feia”. O mesmo que lamentou o suicídio de um artista (!?) que havia acabado de assassinar sua esposa. Entre outros atos e falas edificantes. Aliás, Pedro tinha o mesmo vocabulário. Em reunião com funcionários (homens e mulheres) do agronegócio na Caixa, alertou que “se não fizerem o que eu estou mandando, eu vou estuprar todos vocês”.

Será exonerado por criar empecilhos à campanha, não pelo seu caráter. Não há o que reclamar de sua visão de mundo. Ele se portou sem discrição, mas deixou sua marca privatista, moderna, eficiente e corporativa na gestão. O que inclui a visão objetificada do trabalhador, o ódio entranhado pelo papel do Estado e pelo bem estar social, o desprezo aos mais fracos, aos que pouco têm além do corpo e da força de trabalho. E, claro, a misoginia. Não poderia faltar. Essa é de lei, parece que não está na Constituição, mas deve estar até na Bíblia.