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Escândalo de assédio contra servidores cometido por Sérgio Camargo pode não ser exceção no governo

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Sergio Camargo - redes sociais

Foto: Reprodução/mídias sociais

De acordo com informações apuradas pela Fiquem Sabendo, agência de dados especializada no acesso a informações públicas, o escândalo de assédio da Fundação Palmares pode não ser o único do Governo Federal.

Ao contrário, de acordo pesquisa desenvolvida pela consultoria Great Place to Work (GPTW) a pedido do Ministério da Economia, o ambiente de trabalho dos mais de 600 mil servidores federais ficou abaixo do esperado. A avaliação da GPTW foi respondida por apenas 30 mil servidores, apesar de ter sido amplamente divulgada. O intuito do Ministério era a obtenção de um selo internacional que indicasse um excelente ambiente de trabalho. 

Entretanto, as respostas dos servidores mostraram que a situação não é boa. A média obtida foi 56, abaixo dos 70 necessários à obtenção do selo.

A pior média obtida foi no eixo "respeito", chegando a apenas 48. O eixo mede o quanto os servidores se sentem respeitados por seus superiores hierárquicos, mas também a valorização profissional, colaboração e consideração no ambiente de trabalho.

Fundação Palmares, o assédio que virou notícia

Na noite de domingo (29), o Fantástico noticiou a acusação de assédio moral, discriminação e perseguição ideológica de 16 servidores e ex-funcionários contra Sérgio Camargo. A reportagem foi ao ar após o Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal (MPT-DF) ter pedido o afastamento imediato de Sérgio Camargo da presidência da Fundação Palmares.

Na ação, o MPT-DF também pede a instalação de uma política de combate e prevenção ao assédio moral no órgão público e o diagnóstico do ambiente psicossocial do trabalho, realizado por profissional da área de psicologia social, em até 180 dias. Além disso, pleiteia-se a condenação solidária da Fundação Palmares e de Sérgio Camargo por danos morais coletivos.

Além de palavrões e humilhações, Sérgio Camargo foi denunciado por discriminação e perseguição político-ideológica contra os servidores.

Servidores calados e aterrorizados

Contudo, não é apenas na Fundação Palmares que a situação no ambiente de trabalho vem se deteriorando. De acordo com Marivaldo Pereira, servidor público federal e militante do movimento negro, os servidores têm convivido diarimente com uma rotina de silêncio e medo. 

Conforme relata, o escrutínio sobre os servidores vai além do que dizem, e chega até no histórico das redes sociais de familiares. "Um amigo me relatou que foi obrigado a explicar o porque sua mãe havia sido filiada ao PDT na década de 1980", denuncia Pereira.

A sistemática perseguição política de alguns gestores têm impedido que excelentes profissionais ascendam aos postos de comando em ministérios e outras repartições públicas, explicou Pereira. 

O único servidor público consultado que aceitou falar sem o manto do anonimato, relatou que os servidores têm tido receio até de conversar com outros colegas dos órgãos públicos com posições políticas diferentes. "É algo que estávamos acostumados a ler em livros de História", afirma.

"O que estamos vivendo era comum a regimes autoriários", concluiu Pereira, que é advogado.