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Ernesto Araújo fora: "Formulador da política externa é Eduardo Bolsonaro", diz professor da UFABC

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A saída de Ernesto Araújo é dada como certa. O governo, agora, busca um substituto para comandar o Itamaraty. Entretanto, há uma grande chance de que os nomes irão mudar para que o resto continue igual. Essa é a opinião de Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC): “O real formulador da política externa de extrema-direita é Eduardo Bolsonaro”.

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“As ideias de Araújo estavam expressas já no discurso de posse. ‘Estamos combatendo o globalismo’. Já estava, na verdade, até em um artigo que ele escreveu sobre Trump anos antes”, diz Maringoni.  “É uma política de extrema-direita que teve algum apoio quando Donald Trump era presidente dos EUA”.

A linha imposta por Araújo à diplomacia se materializou no “comportamento dele de impedir que, em fóruns internacionais, o Brasil se colocasse a favor de direitos, especialmente em relação a direitos das mulheres, de imigrantes. De ampliar uma ação que o Brasil vinha tendo de democratizar as relações exteriores”.

A questão, diz Maringoni, é que a pandemia tornou sua presença ainda mais inconveniente.

“A conjuntura está pautada pela pandemia. Ela deixa muito claro não só o caráter negacionista da ação de Araújo, mas a ação em direção ao isolamento internacional que chega às raias do criminoso”, explica.

Araújo foi uma peça-chave, neste sentido, para que políticas eficientes de combate à pandemia fossem implementadas. No caso dele, contribuindo para que a vacinação não avançasse por conta de rusgas com países essenciais no tema, como a China.

“Quando a ação do Ministério das Relações Exteriores coloca obstáculos na aquisição de vacinas, isso se torna um investimento deliberado no genocídio. Não há nada de panfletário nesse termo. Existe hoje uma política consciente não só da vacina, mas do auxílio emergencial e do isolamento social”, defende.

Apontando que a queda de Araújo se insere em um quadro mais geral de “isolamento acelerado do governo Bolsonaro” já que há “apenas um mês o governo elegeu, no Senado e na Câmara, dois presidentes alinhados”, Maringoni vê poucas chances de uma mudança substancial na condução da política externa sob a atual Presidência.

“Eu não acredito que pode mudar com Bolsonaro. Pode ter um anteparo, um amortecedor. Mais ou menos como foi tirar Pazuello da Saúde. Tem um impacto inicial, a ação efetiva não mudou, e tenho dúvidas de que mude”, finaliza.