Reconta Aí Atualiza Aí Entenda a relação entre alta do combustível e privatização da Petrobras

Entenda a relação entre alta do combustível e privatização da Petrobras

Os preços do diesel e da gasolina vão sofrer altas a partir desta sexta-feira (19). Os valores terão variação de 15,2% e 10,2% nas refinarias. Além de afetar a vida do consumidor – mesmo que os aumentos não sejam repassados automaticamente para as bombas dos postos – a causa dos acréscimos tem relação com uma questão mais profunda: a possibilidade de privatização das refinarias da Petrobras.

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No período recente, a produção de petróleo no País aumentou. Isso, em tese, deveria baixar o preço de seus derivados. O que aconteceu, entretanto, é que aumentaram também as exportações do produto. Em outras palavras, o petróleo brasileiro foi destinado a outros países ao invés de ser refinado aqui.

O que explica essa situação é a política de preços da Petrobras adotada a partir do governo Michel Temer: o preço praticado dentro do Brasil varia de acordo com a cotação internacional do barril de petróleo.

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De acordo com Cloviomar Caranine, técnico do Dieese na Federação Única dos Petroleiros (FUP), esse mecanismo, aliado à alta do dólar, tem impacto direto no preço dos combustíveis, que está acompanhando o movimento de alta nos preços dos derivados no mercado internacional “por conta da tempestade de neve nos EUA e do aumento da demanda naquele país.”.

Como isso se liga à privatização da estatal do petróleo?

A lógica é simples: financeiramente, compensa mais vender petróleo no mercado internacional do que refiná-lo e vendê-lo aos brasileiros. O custo, obviamente, é a inflação dos combustíveis e dificuldades no conjunto da economia nacional.

O resultado é que boa parte da capacidade das refinarias está inutilizada.

“Desde o governo Temer, o projeto é vender parte das refinarias da Petrobras. Para isso, várias medidas foram implementadas: redução da produção de refinados; facilidade de liberação de novos importadores; não obrigatoriedade de abastecimento interno; e, principalmente, a paridade internacional de preços”, resume Caranine.

O episódio mais recente desse projeto foi a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), em São Francisco do Conde, região metropolitana de Salvador. A unidade foi vendida para um grupo de Abu Dhabi. Os trabalhadores da Petrobras na região decretaram greve a partir desta quinta-feira (17).

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