Pular para o conteúdo principal

Empresa russa demite 150 funcionários utilizando big data

Imagem
Arquivo de Imagem
desemprego

Imagine receber um e-mail de demissão da empresa em que você trabalha com a seguinte justificativa: você está demitido pois nossos algoritmos chegaram a conclusão que é improdutivo. Parece cena de filme de ficção científica, mas aconteceu com cerca de 150 trabalhadores russos da empresa de serviços de pagamentos para jogos online Xsolla.

O fato foi tão chocante que além da mídia russa, meios de comunicação em todo o mundo repercutiram a situação. Os critérios de avaliação analisados por Big Data foram baseados no tempo em que os empregados utilizavam as redes sociais e outras plataformas que não fossem ligadas ao trabalho, desprezando inclusive as metas alcançadas pelos trabalhadores.

Fonte:  Reprodução/Game Observer  - Imagem do e-mail enviado pelo CEO da empresa XSolla.

Conforme tradução elaborada pelo TecMundo, o e-mail diz: "Se você recebeu este e-mail, é porque meu time de Big Data analisou as suas atividades no Jira, no Confluence, no Gmail, em conversas, em documentos e nos dashboards, e você foi marcado como desinteressado e improdutivo. Em outras palavras, você não esteve sempre presente no ambiente de trabalho remoto".

Espionagem ou direito da empresa?

Segundo Rafael Grohmann, coordenador do laboratório de pesquisa DigiLabour, há um crescimento no uso de softwares de vigilância no trabalho. "Há recursos que permitem ao patrão saber se o trabalhador ficou mais de 30 segundos com a tela da vídeoconferência minimizada", exemplifica o especialista.

Grohmann ainda afirma que a vigilância dos rastros digitais e dos dados utilizados como modo de gerenciamento têm aumentado com o crescimento da modalidade de trabalho de home office. "Esse caso é um entre muitos outros que já ocorreram em relação a automatização de processos, tanto de contratação, quanto de demissão", explica Grohmann.

No mesmo sentido, o especialista afirma que é importante combater e denunciar essas práticas, mas também criar plataformas de proteção aos trabalhadores. "Há tecnologias sendo construídas por sindicatos e movimentos de trabalhadores para enfrentar esse processo".

Salve seus Dados!

Paulo de Tarso, funcionário da Dataprev e participante da campanha Salve Seus Dados, ainda acrescenta mais uma preocupação sobre o tema: o preconceito. Segundo ele, os algoritmos são criados por seres humanos e eles podem ser preconceituosos e autoprogramados para discriminar pessoas, "mesmo utilizando critérios supostamente científicos e números bem medidos".

Outra questão ressaltada por Tarso é a questão da criatividade: "Medir as coisas matematicamente nem sempre é uma boa forma de avaliar o trabalho".