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Em meio a escândalos de corrupção, Bolsonaro apela para pauta moral

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Bolsonaro faz cortina de fumaça, de novo

O jornalista Ricardo Noblat, a Venezuela, o médico Drauzio Varela e a Rede Globo de televisão parecem ser os principais inimigos de Jair Bolsonaro nos últimos tempos. Ao analisar a conta do presidente no Twitter, nem parece que 33 milhões de brasileiros passam fome, ou que nos últimos 12 meses, a população esteja enfrentado uma inflação - medida pelo IPCA - de 11,73%.

Ao contrário: vídeos e fotos de motociatas são divulgados sem pudores - apesar de parecerem atos de uma campanha eleitoral antecipada - assim como o vídeo criticando Luiz Inácio Lula da Silva, o principal adversário do presidente nas eleições que ocorrerão daqui a 100 dias.

Nem a prisão de um ex-ministro de seu próprio governo, Milton Ribeiro - ocorrida na quarta-feira (22) pela operação Acesso Pago, realizada pela Polícia Federal - parece preocupar o presidente. Além dos tweets de pré-campanha e dos dedicados a confrontar inimigos imaginários, Bolsonaro também tem se dedicado a criticar a decisão de membros do Judiciário que fizeram cumprir a lei ao permitir que uma criança de 11 anos, que havia sido estuprada, pudesse interromper sua gravidez.

Com posts sensacionalistas, incluindo um com a imagem de um bebê - nascido, já que enquanto está no útero deve ser chamado de embrião e feto dependendo da idade gestacional - Bolsonaro busca promover a já batida 'cortina de fumaça' incitando o debate da pauta moral - de uma situação que já teve desfecho - ao invés de se debruçar sobre os temas que penalizam os brasileiros.

A prisão de Milton Ribeiro

Mesmo tentado driblar nas redes sociais a prisão de Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação do seu governo, na vida material, ao que parece, tem agido. O ex-ministro por quem Bolsonaro havia dito que colocaria a "cara no fogo", ao que parece teve uma ajudinha do presidente, que por sua vez, teve uma ajudinha da Polícia Federal.

Isso mesmo, um presidente tão confuso que sequer consegue reproduzir as expressões brasileiras "mão no fogo" ou "dar a cara à tapa", não faz comentário algum para defender um homem que até pouco tempo prezava tanto. Contudo, há indícios de que o presidente tenha avisado Ribeiro sobre a operação da PF no início do mês, conforme mensagens trocadas por Ribeiro e sua filha.

"O presidente me ligou (...) Ele acha que vão fazer uma busca e apreensão", disse o ex-ministro e pastor a sua filha no dia 9 deste mês, cerca de 15 dias antes da operação ser deflagrada. Por essas e outras conversas, o Ministério Público pediu que a Justiça Federal remetesse o caso ao Supremo Tribunal Federal. Há a suspeita de que o presidente esteja intervindo pessoalmente nas investigações do escândalo. Se confirmado, mais um crime para conta dos atribuidos ao atual presidente.

Na internet Bolsonaro se criou, mas parece que ela não será suficiente para promover sua reeleição. E talvez nem a sua salvação.