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Efeitos econômicos do conflito podem não se limitar à Europa, avalia economista

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Por conta da integração das economias de cada país através do processo que se convencionou chamar globalização, os efeitos econômicos do conflito entre Rússia e Ucrânia tendem a se espraiar por todo o mundo. Quais serão estes efeitos e sua intensidade dependerão, fundamentalmente, de quanto tempo o conflito durará e de que tipo de solução será construída.

Essa é a avaliação do economista e professor Marcio Pochmann que, em conversa com o Reconta Aí, tentou projetar possíveis impactos do conflito na economia mundial e na brasileira. Confira a entrevista abaixo.

Reconta Aí: É possível estimar neste momento quais os efeitos do conflito? Eles devem se localizar mais na Europa?

Marcio Pochmann: Os efeitos derivados do conflito - até agora localizado entre Rússia e Ucrânia - certamente não ficarão restritos àquela região, por conta da própria globalização e da integração das economias. Todas as possíveis repercussões não são plenamente observadas neste momento. 

Já há efeitos imediatos?

Desde o problema da energia, considerando a importância da Rússia na produção de petróleo, até outros produtos como o trigo e também fertilizantes - o que diz respeito também ao papel da Ucrânia [também produtora de fertilizantes]. 

As decisões tomadas por grande parte dos países que se reúnem em torno da Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN] de excluir a Rússia do sistema de pagamentos, de congelamento de suas reservas, embora estejam circunscritas a um conflito localizado, tendem a se reproduzir em um quadro muito mais amplo.

De imediato, o que se percebe é justamente a elevação do preço do barril do petróleo.  A médio prazo, certamente teremos maiores efeitos em relação a decisões tomadas de exclusão da Rússia do sistema de pagamento. 

O efeito imediato é a elevação do custo da energia, que impactará do custo de vida em diversos países do mundo. No Brasil, não será diferente [ainda que por outra razão], porque o preço do combustível está praticamente dolarizada. Assim como outros produtos que derivam da definição de preços internacionais, as chamadas commodities. 

Estes efeitos tendem a se intensificar ou a se estabilizar?

Depende da temporalidade deste conflito. Precisamos ficar atentos a decisões em relação à situação deste conflito. Se este conflito se encerrar mais rapidamente, possivelmente nós não teremos a continuidade destes problemas. 

Mas a guerra pode ser conduzida por mais tempo. Isso depende da reação da OTAN e das posições da Rússia. Nesta hipótese, poderíamos até mesmo ter recessão, tendo em vista os impactos no comércio externo. E as consequências, para a Europa primeiramente, da retirada da Rússia do comércio. Grande parte do consumo de pães e massas, que estão na cesta de alimentos do europeu, dependem do trigo na Rússia. 

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