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Dólar a R$ 4,32

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Imagem do site Recontaai.com.br

A cotação do dólar comercial chegou a atingir sua máxima histórica na sessão desta sexta-feira (7), batendo R$ 4,32 durante o dia. 

O movimento da moeda norte-americana veio em um dia marcado pela divulgação – no cenário externo – de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e, no mercado doméstico, do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Na quinta-feira (6), a moeda norte-americana fechou aos R$ 4,28. No ano, acumula alta de mais de 7%. E o corte da Selic para 4,25% na quarta-feira (5) não foi suficiente para conter o avanço do dólar frente ao real.

Ainda no cenário local, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje o  Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que variou positivamente 0,21% em janeiro de 2020. O aumento é o menor para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. 

William Baghdassarian, professor de Economia do Ibmec Brasília, explica que o importante é entender que a taxa de câmbio é uma variável “muito ligada” ao mercado internacional.  “Além dos fatores domésticos, está relacionada ao que acontece lá fora. Em outras palavras, quer dizer que qualquer balanço divulgado lá fora é repassado aqui dentro por conta da taxa de câmbio”, exemplifica.

Além disso, ressalta  que o cenário de incerteza política por conta da eleição americana e as negociações dos Estados Unidos e China – que são os grandes players do mercado internacional  – também colaboram para a incerteza no câmbio. 

“Na minha visão, a grande justificativa para a alta do câmbio, de curto prazo, são essas variáveis do mercado internacional. Basicamente é essa incerteza”.

Cenário doméstico

“No lado doméstico, temos, primeiro, a redução da taxa Selic, que está em 4,25%. E o que isso faz? Para manter o mesmo nível de rentabilidade, ou você aumenta a taxa de câmbio para o investidor estrangeiro manter sua rentabilidade ou, se isso não acontecer, acaba tendo um rendimento menor.  Então, você tem uma pressão sobre a taxa de câmbio por conta da Selic”, disse.

O professor resume que a taxa de câmbio elevada pode ser explicada por fatores internacionais, dentre eles, grandes movimentos de capital de diversos países por conta da incerteza política americana; a questão do comércio entre Estados Unidos e China (se juntarmos os dois países temos uma parte significativa do comércio mundial) e, no mercado interno, a incerteza política com  relação à aprovação de reformas. 

“Acho que esse é o desenho que explica esse câmbio elevado”.