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Direção do Banco Central insiste em alta dos juros como solução para inflação

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BANCO CENTRAL

Conforme previsto pelas regras que regulam o regime de metas de inflação, o presidente do Banco Central enviou ao Ministério da Economia uma carta pública explicando os motivos do IPCA ter superado o limite superior dos parâmetros estabelecidos para a variação de preços no país. O texto continua apresentando a elevação da taxa de juros como principal mecanismo de combate à inflação em 2022.

No documento, Roberto Campos Neto trabalha, entre outras, a ideia de "inflação importada". Em outras palavras, o presidente do BC defende que a elevação de preços se deu por conta da alta de preços no mercado internacional de alguns bens produzidos no Brasil. O aumento da cotação lá fora teria feito aumentar os preços no mercado interno.

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Emílio Chernavsky, doutor em economia, atenta para o fato de que - apesar da alta de preços ter ocorrido no mercado internacional - este fenômeno foi agravado por questões nacionais.

"Esses choques [de preços internacionais] de fato foram muito importantes, mas seu impacto no País foi acentuado por dois fatores internos. Em primeiro lugar, pela desvalorização da moeda especialmente acentuada pela criação constante de ruídos e tensões, e da sensação de incerteza sobre a condução da economia propagada pelo próprio governo. E em segundo, pela política de preços dos combustíveis da Petrobras, que repassa rápida e completamente os choques externos em itens com grande impacto sobre a inflação", defende.

O economista afirma que a política de elevação de juros não se mostrou eficaz em 2021 e, de acordo com as expectativas para 2022, provavelmente continuará não funcionando.

"Desde o mês de março [de 2021] já ocorreram 7 aumentos na taxa, que passou de 2,00% ao ano para 9,25%, e novos aumentos foram prometidos pelo Copom para as próximas reuniões. Os efeitos dessa forte elevação, de longe a maior do mundo, contudo, são questionáveis, já que apesar dela e do seu esperado impacto negativo sobre a atividade econômica, a inflação prevista para 2022 continua elevada", sustenta ele.

Segundo Chernavsky, a dificuldade do aumento da taxa básica de juros segurar a elevação de preços decorre da origem da inflação - tese sustentada por vários outros economistas críticos à atual gestão do Banco Central e do Governo Federal: "A inflação atual é originada em choques de oferta, e não de demanda, sobre os quais os juros poderiam ser mais eficazes) e os canais de transmissão da política monetária não funcionam adequadamente no País".