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Direção da Petrobras quer quadro de pessoal semelhante ao da década de 90

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Imagem do site Recontaai.com.br

Foto: Divulgação/FUP

A direção da Petrobras pretende reduzir em 34% seu quadro de pessoal, passando de 45,5 mil funcionários para 30 mil pessoas. O número pretendido, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), significa um retorno ao patamar do final da década de 90 e, consequentemente, dos problemas enfrentados pela companhia naquele momento.

“Na verdade ele [Roberto Castello Branco] já vem falando isso. Ele já disse que o sonho dele é vender a Petrobras. Agora ele está executando o planejamento para concretizar seu sonho”, critica Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação.

Segundo Bacelar, os programas de demissão voluntária são um complemento da política de venda de ativos da estatal. Em sua visão, um dos problemas decorrentes “dos desligamentos sem planejamento” é o fato de que os trabalhadores mais velhos estão saindo da empresa sem que tenha sido criado um “mecanismo de transmissão do conhecimento”.

“A gente volta ao patamar do final da década de noventa, quando tinha cerca de 32 mil. Essas pessoas têm mais de vinte anos de casa. O capital intelectual que a Petrobras acumulou, que fez com que a companhia fosse premiada internacionalmente, está em cheque”, afirma.

A diminuição – quantitativa e qualitativa – do quadro não só repetirá a questão numérica, mas também, consequentemente, o padrão de atuação da empresa.

“Efetivo muito baixo em áreas operacionais significa mais chances de acidentes. Desde acidentes pessoais até acidentes ambientais”

O final da década de noventa e início dos anos 2000 foram marcados por episódios difíceis para a empresa, com, por exemplo, o vazamento na Baía de Guanabara e o afundamento da maior plataforma da América Latina naquele momento.

“[Será o] enfraquecimento da própria companhia, na contramão do mundo. As companhias de outros países estão cada vez mais ocupando toda a cadeia, da extração à distribuição, com foco em energias renováveis. A Petrobras se tornará menos ‘verde'”, prevê.

De outro lado, o foco apenas na exploração colocará o País em uma posição de “submissão [econômica] a variações do preço internacional do barril”.

Para o sindicalista, as vendas de ativos que vêm sendo promovidas têm caráter “ilegal, não é a FUP que está dizendo, é o Congresso Nacional”.

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