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Dieese: São Paulo tem a cesta básica mais cara do Brasil

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cesta básica

Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada nesta quarta-feira (8) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revela que a cesta básica de São Paulo foi a mais cara do País no mês de maio. Na capital, o custo médio dos produtos básicos somou R$ 777,93.

O Dieese analisou 17 capitais brasileiras. Em três delas, o custo médio da cesta básica no mês de maio ficou mais alto do que o valor de abril. As demais 14 capitais tiveram uma leve queda no custo da cesta básica. Segundo o Dieese, a redução no valor dos alimentos básicos nessas capitais foi impulsionado pelo tomate, que teve queda chegando até a 40,04%.

No entanto, entre janeiro e maio de 2022, todas as capitais acumularam alta nos preços dos alimentos, com taxas variando entre 5,47%, em Vitória, e 14,71%, em Aracajú. Entre maio de 2021 e maio de 2022, o preço do conjunto de alimentos básicos subiu em todas as capitais que fazem parte do levantamento. Os maiores percentuais foram observados em Recife (23,94%), Salvador (23,13%), Campo Grande (22,80%), São Paulo (22,24%) e Belém (21,86%).

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Cesta básica x salário mínimo

Com base na cesta de São Paulo, o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 6.535,40. O valor corresponde a 5,39 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.212,00. Em abril, o valor do mínimo necessário deveria ter sido de R$ 6.754,33, ou 5,57 vezes o piso em vigor.

O cálculo para se chegar a esse montante leva em em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido - após o desconto referente à Previdência Social -, o trabalhador que ganha o piso nacional comprometeu cerca de 59,39% do seu salário com alimentos básicos. Esse percentual é para alimentar somente uma pessoa adulta. Em abril, o percentual foi de 61%.

Alimentos da cesta básica

O tomate ajudou na redução do valor da cesta básica em maio, segundo o Dieese. A queda no preço do tomate se deu por causa da maior oferta do fruto devido ao avanço da safra de inverno e à rápida maturação.

Ele teve o preço reduzido em quase todas as capitais, exceto em Belém (5,42%). As quedas mais importantes foram anotadas em Campo Grande (-40,04%), Rio de Janeiro (-37,77%), Brasília (-31,48%) e Belo Horizonte (-31,16%).

Por outro lado, alguns alimentos pesaram mais no bolso no brasileiro. Diversos fatores influenciam nos preços do alimentos. A baixa disponibilidade interna da farinha de trigo, a menor produção de trigo na Argentina e na Ucrânia e a preocupação com a menor oferta mundial resultaram em aumento dos preços, com repasse para a farinha e o pão francês.

Pelo segundo mês consecutivo, o preço do quilo do pão francês subiu em todas as cidades. Entre abril e maio, as altas mais expressivas foram observadas no Rio de Janeiro (3,82%), em Salvador (3,79%) e Belém (3,66%).

Segundo o Dieese, o leite integral registrou aumento de preços em 17 cidades, entre abril e maio. As maiores elevações foram em Natal (7,63%), Recife (7,42%) e Vitória (6,80%). Os preços são reflexo do crescimento da exportação, a queda nas importações e a entressafra reduziram a quantidade de leite disponível e influenciaram a valorização dos derivados lácteos, como o queijo muçarela e o leite UHT.

O feijão também teve alta em 12 capitais. O tipo carioquinha aumentou em todas as capitais onde é pesquisado e as taxas variaram entre 0,10%, em Brasília, e 14,35%, em Goiânia. Já o preço do feijão preto, diminuiu nas cidades pesquisadas, exceto em Florianópolis. A queda mais expressiva foi no Rio de Janeiro (-4,20%).