Pular para o conteúdo principal

Dieese: Rendimento dos trabalhadores autônomos negros despenca durante a pandemia

Imagem
Arquivo de Imagem
Dieese

Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta sexta-feira (13), revela que o rendimento dos trabalhadores por conta própria que começaram a trabalhar durante a pandemia equivalia a 69% do recebido por aqueles que começaram antes do surgimento da Covid-19.

O rendimento médio era de R$ 2.074 entre os autônomos mais antigos, enquanto entre os mais novos nessa situação ficava em R$ 1.434.

De acordo com o estudo, as mulheres negras e os homens negros são os que apresentavam os menores rendimentos. E essa era uma realidade tanto dos que iniciaram o trabalho por conta própria mais recentemente quanto os que já estavam nessa condição antes da pandemia.

LEIA TAMBÉM:
- Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro puxam taxa de desemprego no 1º trimestre
- Com o fim das vendas de ativos da Caixa, lucro do 1º trimestre de 2022 registra queda de 3,8%

A secretária de Combate ao Racismo da CUT, Anatalina Lourenço, explica que o racismo no Brasil é estrutural e rege quase todas as relações econômicas e sociais no País. No mercado de trabalho, negros e negras além de terem salários mais baixos que os da população não negra, ocupam os postos de trabalho mais precarizados. 

“Chegamos em 2022 em uma condição que podemos dizer que os trabalhadores não são mais escravizados, mas são relegados a trabalhadores escravizadores. Ocupamos os piores postos de trabalho possíveis”, afirma.

Ausência de proteção social

O Dieese também faz um recorte sobre a proteção social dos trabalhadores autônomos no Brasil. Os brasileiros que começaram a trabalhar por conta própria recentemente estavam em atividades de menor qualificação, se comparados aos mais antigos.

Diante disso, 74,2% do autônomos recentes não possuíam CNPJ e não contribuíam com a Previdência Social. Um retrato de total desamparo, já que esses brasileiros perdem direitos como, por exemplo, auxílio acidente e licença-maternidade.

"Uma hipótese para explicar essa proporção menor de CNPJs entre aqueles que começaram a trabalhar por conta própria mais recentemente é a incerteza do negócio, assim como a preocupação com o endividamento que a regularização pode trazer", explica o Dieese.

O Departamento diz ainda, que a falta de contribuição com a Previdência Social também pode estar relacionado à baixa remuneração recebida pelos trabalhadores, que dificulta o pagamento da contribuição.