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Unesco escolhe 14 de março como o Dia da Matemática

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Imagem do site Recontaai.com.br

Data faz referência ao número Pi e tem como objetivo valorizar a área

Dia 14 de março (ou 3/4 de acordo com o sistema americano) é conhecido como o Dia do Pi, constante matemática que começa com 3,14 e que surge a partir da razão entre o perímetro de uma circunferência e seu diâmetro.


Nesta terça-feira (26), a Unesco elegeu a data como Dia Internacional da Matemática. A ideia é valorizar a área e estimular escolas, universidades e outras instituições a promover atividades que mostrem a importância da matemática.


O Brasil já tem um evento marcado: a exposição Matemateca deve ficar aberta ao público em todo o mês de março, no Centro Universitário Maria Antonia, na região central de São Paulo. O evento já tem um site em que matemáticos do mundo todo podem cadastrar atividades.


Segundo o documento que embasou a decisão da Unesco, a matemática “é um determinante de avanço tecnológico na nossa sociedade”. A autoria é de Christiane Rousseau, da Universidade de Montreal, que encabeça a iniciativa.

O preconceito ainda é inimigo das mulheres na Matemática


Uma das metas da iniciativa é também a de ampliar a participação das mulheres, que ainda é ínfima, no ramo. A dominância masculina ainda faz com que a área seja permeada de preconceito, e muito dele ainda é justificado por supostas “provas biológicas” de que meninos nascem mais capacitados para a matemática do que meninas.

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Karen Uhlenbeck, que em março se tornou a primeira mulher a receber o Abel Prize, o segundo prêmio de maior prestígio na matemática, depois da Fields Medal, disse: “continuo decepcionada com a quantidade de mulheres que estudam matemática e estão em cargos de liderança. Isso, para mim, se deve sobretudo à cultura da comunidade matemática e também a pressões sociais externas”.

Estudantes brasileiros saem da escola sabendo menos


Mas não são só as mulheres que enfrentam dificuldades. Aqui no Brasil, o desempenho dos estudantes em matemática é preocupante. Dados divulgados pelo movimento Todos pela Educação mostram que eles saem da escola sabendo menos do que os estudantes formados há uma década. O índice piora quando a comparação considera raça e o nível socioeconômico dos estudantes.


Na rede pública, apenas 4% dos estudantes que estavam no último ano do ensino médio em 2017 haviam aprendido o que se esperava em matemática, ou seja, 96% deles apresentavam déficit. Nas escolas da rede privada, o índice de alunos com aprendizado adequado foi de 39,3%.

Ambiente influencia no desempenho


Os dados apontam que o nível socioeconômico do estudante influencia no desempenho escolar. Nas escolas com alunos de menor renda, apenas 3,1% aprenderam tudo o que deveriam de matemática no 3º ano do ensino médio. Nas escolas que concentram estudantes de maior renda, o aprendizado adequado chegou a 63,6% do total de alunos.
Em relação à raça, alunos que se declaram pretos aprenderam 4,1% do conteúdo esperado em matemática; pardos, 5,7% e brancos, 16%.


A análise foi feita com base nos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Ministério da Educação (MEC), com números de 2007 a 2017 e busca monitorar se os alunos estão aprendendo o que deveriam naquele ano de ensino.


No entanto, nem tudo está perdido. Em abril, a jovem Mariana Bigolin Groff, de 17 anos, foi a primeira brasileira a ganhar a medalha de ouro na 8ª European Girls Mathematical Olympiad (EGMO), que neste ano reuniu 196 estudantes, de 49 países.