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Desmatamento da Amazônia e a falta de chuvas. É coincidência?

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Falta de chuvas

Há uma 'coincidência temporal' entre a remoção da cobertura florestal na Amazônia e a diminuição das chuvas no Sudeste e Centro-Oeste brasileiros.

Quem afirma é o climatologista Marcelo Seluchi, coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Embora estejam ocorrendo simultaneamente, o especialista pondera que não é possível estabelecer uma relação de causalidade entre as duas realidades: "Não é possível provar que uma coisa é consequência da outra".

Ainda assim, o especialista aponta que há impactos diretos que envolvem chuva e fogo: "A falta de chuva tem impacto nas queimadas; o fogo se inicia por ação de próprio homem, mas ele se alastra muito mais com o solo e a vegetação seca", disse Seluchi. No mesmo sentido, o climatologista explica que a substituição do solo florestal por outros solos - como pastos e plantações - diminui a umidade do ar, um componente necessário para a formação das chuvas.

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As chuvas na bacia do Rio Paraná

Na bacia do Rio Paraná estão os principais reservatórios de água do Brasil, seja para consumo humano, seja para a produção de energia hidrelétrica. Ela ocupa os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do
Sul, São Paulo, Santa Catarina e o Distrito Federal.

Bacia do Rio Paraná
Imagem: Cemaden/ Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

Por sua importância estratégica para o Brasil - um terço da população brasileira vive nessa área -, a região vem sendo acompanhada por cientistas e pelo governo. Conforme nota técnica de 31 de maio do Cemanden, "A bacia do rio Paraná vem apresentando condições de chuva inferiores à média nos últimos 22 anos". Entretanto, a nota aponta que nos últimos dois anos a situação se agravou ainda mais.

A seca excepcional tem preocupado os brasileiros por conta da previsão de um possível apagão. Mas o cenário é ainda mais sério, levando os cientistas a projetarem um panorama futuro desfavorável. Com a escassez da umidade do solo, a formação de chuvas é dificultada, levando a um ciclo vicioso que leva a seca mais prolongada.

Outros fatores climáticos também entram nessa equação, mas a falta de florestas preocupa. Ainda que a seca não ocorra unicamente em decorrência da devastação ambiental, refrear o desmatamento e pensar em estratégias para o reflorestamento parece uma boa ideia para um futuro com menos escassez.