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Bem menos: Mulheres recebem 77,7% do salário dos homens

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A desigualdade de gênero persiste no mercado de trabalho segundo estudo “Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, lançado pelo IBGE

Um estudo divulgado pelo IBGE aponta que a desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres ainda é grande no Brasil. Essa é a conclusão da segunda edição do estudo Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil.

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O levantamento analisa a força de trabalho do País, pessoas empregadas ou que estão à procura de emprego, com um recorte de gênero. Em outras palavras, o estudo busca apontar as diferenças e desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

De acordo com Fernanda Caldas Giorgi, advogada especialista em Direito Sindical e Direito Coletivo do Trabalho, por mais que tenha havido avanços na redução da desigualdade de gênero, “lamentavelmente, as discriminações a que a mulher está sujeita no mercado de trabalho continuam as mesmas”.

Gravidez e filhos

Esse recorte traz resultados impactantes nas questões de inserção no mercado de trabalho, salário, renda e dupla jornada. Tripla jornada se o cuidado com crianças e idosos for levado em conta separadamente do trabalho doméstico.

Segundo Fernanda Caldas Giorgi, a forma como o mercado encara a gravidez, e do trabalho com os filhos, reduz as oportunidades delas alcançarem estabilidade no emprego e cargos de liderança. “A ascensão a cargos de liderança e gerência é limitada não só por fatores como a maternidade, mas também pelos estereótipos de gênero”, afirma a advogada.

O impacto da gravidez e o cuidado com os filhos é um dos fatores mais importantes para as mulheres no trabalho. Segundo a pesquisa do IBGE, entre as mulheres entre 25 e 49 anos com filhos de até três anos, 54,6% estão trabalhando ou buscando emprego. Já entre as mulheres sem filhos dessa idade, 67,2% estão na mesma situação.

Ao contrário dos homens da mesma faixa etária: entre eles, 89,2% estão inseridos na força de trabalho. Já os que não têm, somam 83,4%.

Trabalho doméstico

O trabalho doméstico também é muito relevantes na situação das mulheres e a vida laboral. Por exemplo, mulheres dedicaram quase o dobro do tempo que os homens aos afazeres domésticos não remunerados.

Entre os afazeres domésticos, a pesquisa levou em conta não só a manutenção da casa e a preparação de comida, mas também o cuidado com dependentes. Nesse sentido, a pesquisa apurou que homens dedicaram ao trabalho doméstico apenas 11 horas semanais, contra 21,4 horas semanais das mulheres.

O salário e a renda das mulheres

Não causa surpresa o fato delas ganharem menos do que eles. Essa desigualdade é histórica, e pouco tem sido feito para que ela seja superada.

Em 2019, período a que os dados da pesquisa se referem, as mulheres receberam em média 77,7% do salário recebido pelos homens. Contudo, ao contrário do que se espera, o salário menos não tem a ver com o índice de escolaridade, que é maior entre elas.

Conforme explica Caldas Giorgi: “Existem várias políticas públicas para promover a igualdade de gênero e transformar nossa sociedade”. Dentre elas, a advogada destaca a educação pela inclusão, para estimular a entrada de mulheres em áreas predominantemente masculinas e promover o respeito e o estímilo à “medidas de compartilhamento das responsabilidades familiares”.

Entretanto, a Caldas Giorgi explica que há anos medidas nesse sentido não têm sido implementadas pelo governo. “Faz cinco anos que assistimos à extinção e ao sucateamento das instituições antes dedicadas a promover os direitos das mulheres, como, no ano passado, a extinção da comissão que combatia a discriminação de raça e gênero no mercado de trabalho”, conclui a especialista.

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