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Desemprego recua, mas inflação alta segue travando recuperação econômica

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (31) o resultado da Pesquina Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) relativa ao trimestre de fevereiro a abril. Os números trazem melhoras em relação ao número de pessoas ocupadas, conforme explica o economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça: "Em um ano típico, a taxa de desemprego (e a quantidade de desempregados) costuma cair a partir de abril/maio. E seguirá em queda até novembro/dezembro, se não ocorrer algum choque econômico adicional (interno ou externo)".

A taxa de desocupação - utilizada para medir o nível de desemprego - ficou em 10,5% no trimestre de fevereiro a abril. A porcentagem representa uma queda de 0,7 pontos percentuais (p.p) em relação ao trimestre passado - de novembro a janeiro; e de 4,3 p.p. em relação ao mesmo período de 2021.

O número de desocupados também diminuiu: houve um recuo de 5,8% em relação ao trimestre anterior e 25,3% em relação ao mesmo período de 2021. Isso representa, respectivamente, 11,3 milhões de pessoas na população desocupada, um recuo de 699 mil pessoas quando comparado ao período de fevereiro a abril; e de 3,8 milhões de pessoas em relação ao mesmo período em 2021.

A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas (6,6 milhões de pessoas) diminuiu em 5,3% (menos 369 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e 10% (menos 730 mil pessoas) em relação ao trimestre encerrado em janeiro.

Já a população desalentada, que ficou em 4,5 milhões de pessoas no trimestre de fevereiro a abril, teve uma queda de 6,4% (menos 303 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 24,6% (menos 1,5 milhão de pessoas) em relação ao mesmo período do ano passado.

Pnad traz melhoras, mas a situação do trabalhador ainda é grave

A diminuição do desemprego é um alívio tanto em nível pessoal, para os trabalhadores, quanto em nível econômico para o Brasil. Contudo, Sérgio Mendonça alerta: "Sempre reafirmo que, para quem consegue arranjar uma ocupação ou um emprego formal, mesmo que com baixo rendimento ou salário (é o que vem acontecendo) é um alívio sair do desemprego. O que tem complicado esse olhar, do tipo 'copo cheio', é a inflação e, sobretudo, a inflação para as famílias de baixa renda, com forte peso dos altos preços dos alimentos e dos combustíveis (gás de cozinha)".

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A briga entre a inflação - o aumento dos preços - e a massa de rendimento - a soma (levando em conta a quantidade de pessoas que recebe quais salários) na amostra pesquisada pelo IBGE corrói o poder de compra dos trabalhadores, sobretudo os mais pobres.

"Esses 9 milhões a mais de ocupados entram no mercado de trabalho em ocupações de menor rendimento e puxam o rendimento médio nominal para baixo. E a taxa de inflação completa o serviço, impedindo o crescimento real do rendimento e até derrubando-o. Mais gente ocupada, rendimentos menores das novas ocupações e taxa de inflação corroendo o poder aquisitivo de todos os ocupados (antigos ou novos)", afirmou Mendonça.

No mesmo sentido, o economista conclui: "A inflação impede que a massa real de rendimentos cresça, o que funciona como uma trava ao crescimento econômico, uma vez que as pessoas não têm folga no orçamento e estão endividadas".