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Desemprego e desigualdade: Dieese faz projeção econômica sobre 2022

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Projeções Econômicas

Desigualdade. Esse é o conceito que domina a projeção econômica que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) faz para o ano que vem - 2022 - no último Boletim de Conjuntura do ano de 2021.

Segundo a instituição, a fraca recuperação econômica frente aos impactos da pandemia de Covid-19 vem afetando a população de maneira bastante diferente. Principalmente por que a recuperação econômica está atrelada em um sistema de baixo dinamismo que não gera empregos suficientes, e os empregos que gera são de baixo rendimento.

No mesmo sentido, o baixo crescimento que o Brasil têm alcançado vem gerando frutos bastante desiguais, conforme afirma o Boletim. Para 2021, a instituição analisa que o crescimento não deve passar de 4,5%, o que parece um excelente resultado, contudo a base de comparação - o ano de 2020 - é bastante baixa.

E a alta da inflação vem corroendo o poder de compra e de sobrevivência das famílias brasileiras. Conforme dados divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prévia da inflação brasileira é a maior desde 2015: 10,42%.

Incertezas impactam nas projeções sobre o Brasil

A situação sanitária decorrente da Covid-19, as eleições e a economia internacional são apontadas pelo Dieese como variáveis importantes e imprevisíveis para um cálculo mais apurado sobre a projeção econômica de 2022. Porém, sugerem que em 2022 ocorrerá o mesmo que ocorreu este ano: "baixo crescimento e inflação ainda em patamar elevado", conforme descreve o boletim.

Nesse cenário que se forma, o Dieese avalia que o PIB brasileiro poderá crescer até 1,4%, em um cenário otimista, e cair até -1,5%, em um cenário pessimista. No entanto, frisa o boletim, a tendência é que haja um crescimento de 0% em 2022.

Outro aspecto importante considerado pelo Dieese é o volume de investimentos públicos que o governo poderia fazer em 2022 para alavancar o crescimento. Contudo, a aprovação do Orçamento de 2022 trouxe a resposta ao questionamento: o investimento público em 2022 será o menor de todos os tempos. O governo disporá de R$ 44 bilhões para investir em todas as áreas que dependem da União.

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Em relação ao mercado de trabalho, o Dieese projeta uma diminuição de pessoas desocupadas, popularmente conhecidas como desempregadas, de 200 mil no cenário mais otimista. Porém, a instituição ressalta que pode haver uma diminuição no número de desalentados - trabalhadores que desistiram de procurar emprego - fazendo com que até dois milhões de trabalhadores voltem a procurar trabalho no cenário pessimista.

Atualmente, o Brasil enfrenta um número recorde de famílias inscritas no CadÚnico que estão em situação de extrema pobreza. Somente em setembro haviam cerca de 15,1 milhões de pessoas nessa situação. E, se nada for feito, esse cenário pode se agravar ainda mais.

O Dieese conclui o relatório afirmando a urgência da retomada do "caminho do crescimento econômico com redução da desigualdade social e preservação do meio ambiente".