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Desemprego bate recorde e atinge 14,8 milhões de brasileiros

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Imagem do site Recontaai.com.br

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua revela que o desemprego no Brasil atingiu a taxa de 14,7% no primeiro trimestre de 2021. Já são 14,8 milhões de brasileiros na fila em busca de um trabalho no País. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27).

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Essa é a maior taxa e o maior contingente de desocupados de todos os trimestres da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. De acordo com o economista e diretor do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, aos poucos as pessoas estão retornando e pressionando o mercado com o aumento do desemprego.

"Se todas as pessoas que saíram ou 'foram saídas' do mercado de trabalho retornassem, a taxa de desemprego seria muito maior. Mas por falta de perspectiva não retornaram", alerta o economista.

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E realmente muitas pessoas desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais do mercado. Esse são chamados desalentados. Eles já somam seis milhões de pessoas e é o maior patamar da série histórica.

Outro destaque da pesquisa foi a alta no total de pessoas subutilizadas, que são aquelas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial. No primeiro trimestre, o contingente chegou a 33,2 milhões, o maior da série comparável. Um aumento de 3,7% com mais 1,2 milhão de pessoas.

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Ocupação e informalidade

A pesquisa mostra ainda que o nível de ocupação (48,4%) reduziu 0,5 ponto percentual. E, desde o trimestre encerrado em maio de 2020, o nível de ocupação está abaixo de 50%. Esse cenário indica que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no País.

Para a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, essa redução do nível de ocupação está sendo influenciada pela retração da ocupação ao longo do ano passado, quando muitas pessoas perderam trabalho. Ela observa que os impactos da pandemia só ficaram visíveis no mercado de trabalho no final de março daquele ano.

Segundo o IBGE, o único aumento na ocupação ocorreu entre os trabalhadores por conta própria (23,8 milhões). A taxa cresceu em 2,4%, um acréscimo de 565 mil postos de trabalho.

Já a taxa de informalidade ficou estável. No primeiro trimestre deste ano 34,0 milhões de pessoas (39,6%) estavam trabalhando sem carteira assinada (empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores ou empregados por conta própria) ou sem remuneração.

Desemprego nas regiões Norte e Nordeste

A taxa recorde de desocupação no País foi puxada pelas regiões Norte (14,8%) e Nordeste (18,6%). Segundo o IBGE, essa é a maior taxa já registrada desde 2012 em ambas as regiões. Com esse aumento, o número de desempregados no Norte chega a 1,2 milhão e no Nordeste a 4,4 milhões de pessoas.

Beringuy explica que as regiões Norte e Nordeste tiveram um aumento significativo da procura por trabalho no primeiro trimestre de 2021 e que esse cenário acabou elevando a taxa de desocupação. De acordo ela, o aumento na procura por trabalho já era esperado em razão da sazonalidade.

“Analisando a nossa série histórica, no nível nacional, é possível verificar esse comportamento sazonal no início de cada ano, que é a expansão da população desocupada. Isso faz com que a taxa de desocupação cresça, principalmente, no primeiro trimestre”, acrescenta a analista.

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Além do aumento no desemprego, Norte e Nordeste têm outra característica frente a outras regiões: a informalidade. A taxa de informalidade foi estimada em 53,3% no Nordeste e 55,6% no Norte, as únicas regiões que ficaram acima da média nacional (39,6%).

A pesquisa aponta que dos 34 milhões de trabalhadores informais do País, 10,2 milhões estão no Nordeste e 3,4 milhões, no Norte. Já entre os estados, a maior taxa de informalidade foi no Maranhão (61,6%).

Desemprego é maior entre pretos e pardos

Segundo a Pnad Contínua, a taxa de desocupação entre os brancos (11,9%), no primeiro trimestre de 2021, ficou abaixo da média nacional (14,7%). Enquanto isso, as dos pretos (18,6%) e pardos (16,9%) ficaram acima.

Para Beringuy, os números são reflexo de um problema estrutural. "A taxa de desocupação de uma pessoa preta é 56,3% maior do que o de uma pessoa branca. É um problema estrutural, que muitas vezes se agrava em momentos de crise do mercado de trabalho”, explica a analista.

Jovens sofrem com o desemprego

Os jovens também encontram muitas dificuldades em conseguir emprego. A taxa de desocupação entre as pessoas de 18 a 24 anos (31,0%) foi mais alta do que a média nacional (14,7%). Entre as pessoas desocupadas, esse grupo etário representa 29,0%.