Reconta Aí Atualiza Aí Defesa faz gasto milionário em sistema de monitoramento da Amazônia

Defesa faz gasto milionário em sistema de monitoramento da Amazônia

Foto: Sociobio Amazonia

Em meio à pandemia e o desastre ambiental, o ministério da Defesa tem recebido grande parte do orçamento do Governo

Críticas à gestão ambiental feita pelo atual governo têm sido constantes nacional e internacionalmente. Contudo, ao invés do governo utilizar o orçamento para fortalecer seus órgãos de fiscalização e punir os responsáveis pelo fogo e desmatamento, resolveu deixar a cargo do Ministério da Defesa um planejamento.

Desprezando a existência de dois sistemas – Prodes e Deter, que juntos proporcionam um excelente panorama da região amazônica, o Ministério da Defesa resolveu comprar um microssatélite ao custo de R$ 145 milhões.

Uma das possíveis explicações para esse investimento em algo que já existe, e tem eficiência e excelência, são os problemas do governo Bolsonaro com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Desde meados de agosto de 2019, o presidente tem problemas com a transparência com a qual o órgão trabalha. Tais problemas culminaram inclusive com a demissão de um dos mais renomados cientistas brasileiros, Ricardo Galvão.

Questionamento ao Ministério da Defesa

Causa espanto que o Ministério da Defesa tenha tomado a frente do tema, já que no país há um Ministério do Meio Ambiente. Contudo, Ricardo Salles já se mostrou incapaz de solucionar os problemas da sua pasta. E, ao que parece, será seguido pelo general Fernando Azevedo.

O general, que ocupa a cadeira do Ministério da Defesa, deverá ser convocado em breve a prestar contas do seu gasto à Câmara dos Deputados. O autor da convocação dirigida ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM/RJ), foi feito pelo deputado federal Nilto Tatto (PT/SP).

O objetivo da convocação veio da necessidade de mais explicações sobre o Projeto Amazônia SAR. Esse é o nome do projeto do novo sistema integrado de alerta de desmatamento por radar.

De acordo com o deputado Nilto Tatto, especialistas apontam que não há necessidade de mais um sistema para o monitoramento. E reafirma que os dados disponibilizados pelo Inpe são suficientes e já garantiram a redução de 80% do desmatamento em outros momentos.

“O governo Bolsonaro alega que o novo sistema vem para ampliar a capacidade de monitoramento do desmatamento em períodos de chuvas. No entanto, não basta ter acesso a uma determinada tecnologia, é preciso ter experiência para operar e gerar informações úteis a partir do dado técnico”, afirma o parlamentar.

Não basta conhecer os dados, é preciso agir

Tatto aponta que o Estado investiu fortemente no Inpe nas últimas décadas. E acredita que a criação de um novo sistema pretende esvaziar o Inpe e passar o poder de auferição de dados para um órgão controlado por Bolsonaro. Segundo o próprio deputado, é “um negacionista do problema do desmatamento”, ressalta.

“Em uma época de crise fiscal aguda e de enfrentamento à pandemia da Covid-19, desafios que exigem economia no gasto público, é fundamental que o ministro da Defesa explique aos deputados qual a relevância e necessidade de um gasto milionário e sem licitação para algo que pode custar muito menos e valorizando os conhecimentos produzidos há décadas pelo Inpe”, complementa o autor do requerimento, Nilto Tatto.

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