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De Lula ao desastre Bolsonaro: Mais de 33 milhões vivem com até um salário mínimo

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Além da valorização do salário mínimo, da geração de empregos e dos programas redistributivos, as negociações salariais nos anos Lula geravam aumentos reais frente à inflação. Entre 2008 e 2014, o percentual de reajustes que ficaram acima do INPC foi sempre superior aos que foram reajustados pelo índice de preços ao consumidor ou desvalorizados.

Entre 1996 e 2002, 40% das negociações perdia para inflação. De 2004 em diante, até 2014, sempre predominou o maior número de negociações com reajustes acima da inflação. Em 2009, chegou-se ao número de 92,9% de negociações que terminaram com aumentos salariais acima do INPC. Em 2010, 93,8%. Em 2012, esse número chegou a cerca de 95% de negociações finalizadas com aumentos reais de salários.

De 2015 a 2020, o panorama foi deteriorando para o trabalhador. Hoje, com a flexibilização das regras de contratação e demissão, as mudanças na Justiça do Trabalho e o esvaziamento de sindicatos, a negociação direta é a regra. E quase metade (48,8%) das negociações salariais em 2021, nos acordos analisados pelo Dieese, ficaram abaixo da inflação; 34,7% dos acordos geraram aumentos equivalentes à inflação. A variação média dos ajustes, em mais de 16 mil negociações concluídas, foi negativa, ficando em -0,86%. Mais ainda, aumentaram os reajustes com parcelamento durante o ano. É o pior resultado desde 2003.

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Novembro foi o melhor mês de recuperação de postos de trabalho neste ano que passou. Fez com que chegássemos ao mesmo índice do início de 2020. No entanto, essa recuperação se deu principalmente em empregos que pagam até um salário mínimo. Entre os brasileiros que possuem um emprego, de 2020 para cá, o número de pessoas que recebe até um salário passou de 28,476 para 33,635 milhões.

É importante notar que esses números que empobrecem o trabalhador apresentam uma evolução, uma continuidade. O achatamento salarial e outros elementos deste contexto – reforma trabalhista, reforma previdenciária, ausência de investimentos públicos, desindustrialização, diminuição do Estado, privatizações, abandono da área social – integram um grande projeto de pauperização da sociedade.

O que é quase inacreditável para um País que, há pouco tempo, apresentou taxas mínimas de desemprego, fez com que 32 milhões saíssem da miséria, promoveu a ascensão social do conjunto da sociedade e chegou a ser a 6ª economia mundial.